Ter um filho tem preço?

Ter um filho tem preço?

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de fecundidade no Brasil é de 1,72 filhos por família e que em 2060 o número médio chegará a 1,66 filhos por família. O que nos mostra que a cada dia os casais decidem ter menos filhos, mas por quê, ter um filho têm preço?

Levantamento realizado há pouco tempo atrás falou sobre o custo de se ter um filho, e chegou a conclusão que até os 21 aos o “preço” para se criar um filho seria aproximadamente de dois milhões de reais no Brasil, sendo: 23% em educação, 24% em lazer, 18% em saúde, 7% com roupas e 4% em mesadas
Dois milhões? E agora? Não vou ter mais filhos!

Esse é um comentário comum depois que o leitor se depara com matérias desse tipo. Minha intenção neste artigo é propor outra forma de enxergar esse tema.
Ter um filho não tem preço. Podemos colocar um preço em quase tudo em nossas vidas: a compra da casa própria, troca do carro, viagem de férias, aposentadoria; porém, quando se trata de ter um filho, não podemos encará-lo como um simples objeto de aquisição.

Porém acredito que mais importante do que aquilo que possuímos é aquilo em que nos tornamos. Viver a vida sem deixar um legado é simplesmente viver uma vida sem propósito, e ter um filho é o primeiro grande passo para a construção de um legado.

Não me entenda mal. É possível construir um legado sem filhos? Claro! Talvez gerar uma criança não esteja nos seus planos, tudo bem. Agora, caso a sua opção seja ter filhos, minhas dicas neste artigo farão mais sentido.

Como Planejador Financeiro, é também minha responsabilidade alertar que um filho não deve vir por acaso, de qualquer forma. É preciso ter planejamento, conhecimento e disciplina para que tudo funcione bem na criação de sua família. Ter filhos sem esses itens continuará muito prazeroso, só que o caminho poderá ser um pouco mais difícil.

Por isso, recomendo que, desde já, comece a traçar planos para os seus filhos. Isso mesmo! Se o seu filho ainda não tiver nascido, dê uma idade para ele. Por exemplo: você pretende ter filho daqui a 3 anos? Então seu filho, hoje, tem “-3 anos” de idade. Faltam 21 anos para ele ir para a faculdade e ter o primeiro carro (considerando que ele tenha 18 anos na época). Tudo isso custará dinheiro sim, mas com o planejamento correto seu bolso vai reclamar muito menos.

Outro exemplo: digamos que você deseje começar hoje a poupar para daqui a 21 anos ter dinheiro suficiente para arcar com as despesas de faculdade, carro novo e outros gastos que ocorrerão com o seu filho e que o valor correspondente seja de R$ 150.000,00. Comece hoje a poupar R$ 250,00 por mês que você terá, na circunstância, recurso suficiente para pagar tudo à vista. Esse tipo de projeto tem que ser encarado como um investimento para a qualidade de vida no futuro de sua família.

E quanto às outras despesas nos primeiros 18 anos de idade? A família também pode começar hoje uma economia para as despesas com compra do enxoval, reforma do quarto e despesas gerais. Quanto antes começar, mais barato será esta conta. Por exemplo: se pretende gastar R$ 20.000,00 em reforma do quarto e enxoval do bebê daqui a 3 anos, comece a economizar R$ 500,00 por mês para esse objetivo, alcançando um valor exato de R$ 20.379,12.
E se você já tiver um filho, o que fazer? Nesse caso, os gastos referentes ao filho devem ser encarados como gastos frequentes que trazem qualidade de vida, no presente, para a família. Para os gastos mensais, é necessário incluir tudo no seu orçamento e enxergar quais os gastos supérfluos que existam e podem ser trocados ou adequados.

Meu convite é que você leitor reflita sobre isso. Não encarem seus filhos como um bem material, mas sim como um dos maiores projetos de vida que irão construir e usufruir durante muitos anos. Com um bom planejamento financeiro, seu legado será construído de uma forma muito mais especial.