Railene Santiago, gestora de uma escola municipal de Rio Branco, usou o movimento grevista dos servidores da Educação da capital para expor a realidade enfrentada por profissionais e estudantes dentro das unidades de ensino. Em um desabafo, ela denunciou insegurança, ausência de apoio psicológico, falta de merenda, carência de funcionários e problemas de manutenção nas escolas.
Ao relatar um episódio recente ocorrido em sua unidade, a diretora demonstrou preocupação com o ambiente vivido pelos alunos.
“Ontem, na minha escola, encontraram um isqueiro dentro do banheiro dos meninos. Eu pergunto: para que uma criança precisa de um isqueiro? Infelizmente, estamos permitindo que todo esse cenário contamine nossas crianças”, afirmou.
A gestora também questionou a ausência de profissionais especializados para auxiliar as escolas no enfrentamento de problemas sociais, emocionais e familiares.
“Eu quero perguntar ao prefeito: onde estão os psicólogos, os profissionais de apoio, as pessoas que possam chamar as famílias para conscientizar? Tudo acaba ficando nas mãos da escola e, principalmente, do gestor, que precisa resolver, decidir e assumir responsabilidades sozinho”, declarou.
Railene ainda descreveu dificuldades relacionadas ao abastecimento da merenda escolar e à estrutura das unidades.
“Vivemos escassez de material, falta de merenda e falta de funcionários. Os nossos freezers estão vazios. É revoltante dizer isso, mas essa é a realidade”, disse.
Segundo ela, a direção das escolas precisa fazer cobranças diárias para garantir itens básicos na alimentação dos estudantes.
“Todos os dias tenho que mandar mensagem informando o que está faltando. Não tem proteína, não tem óleo, não tem açúcar. Se existe um cardápio, por que ele não é garantido? Nossa cantina e nosso depósito são uma vergonha”, desabafou.
A diretora também apontou falhas na manutenção predial das escolas, citando salas com lâmpadas queimadas, estruturas danificadas e equipamentos sem reparos.
“Estou há mais de uma semana com salas de aula sem manutenção adequada, lâmpadas queimadas e ar-condicionados precisando de conserto. Quando buscamos resposta, ouvimos apenas que o problema não é exclusivo da nossa escola”, relatou.
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