O governo do Peru instaurou, no último domingo, 16, estado de emergência nas regiões de Lima e Callao, como resposta ao homicídio de Paul Florez, conhecido como "El Ruso", vocalista da renomada banda Armonía 10. A medida visa permitir a mobilização das Forças Armadas para combater gangues criminosas, cujo aumento nas práticas de extorsão tem alarmado o país.
Florez foi assassinado a tiros dentro do ônibus da banda após uma apresentação em San Juan de Lurigancho, um dos distritos mais violentos do Peru. O crime causou comoção nacional e intensificou as críticas à presidente Dina Boluarte, já pressionada pelo avanço da criminalidade.
O caso não é isolado. Em dezembro, a própria banda havia sofrido um ataque a tiros, e relatos de extorsão contra artistas e seus familiares tornaram-se cada vez mais comuns no cenário musical peruano. Contudo, as ameaças não se limitam a esse setor: motoristas de ônibus, comerciantes e até instituições de ensino enfrentam pressões semelhantes.
As estatísticas são alarmantes. Somente em 2024, o país registrou mais de 18 mil denúncias de extorsão, número quatro vezes superior ao de 2021. Especialistas acreditam que o dado real seja ainda maior, já que muitas vítimas optam por não registrar queixas por medo de represálias. Com o estado de emergência, o governo pretende restaurar a ordem pública e enfrentar de maneira direta o controle das gangues.