A história demonstra que o poder, quando desprovido de freios democráticos, tende a recorrer à manipulação da verdade como ferramenta de manutenção. Um dos maiores artífices dessa prática foi Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler. Àqueles que não o conhecem, é importante frisar que suas práticas na implementação dos planos do Führer são estudadas até os dias atuais. Há casos, inclusive, onde suas teorias são utilizadas de formas sistêmicas. Em especial, por governantes corruptos. Senão, vejamos:
O grande trunfo de Seph Goebbels foi a capacidade de transformar a mentira em dogma, repetindo-a até que se tornasse aceita como verdade absoluta. Essa máxima atravessou décadas e, hoje, ressurge sob novas roupagens, adaptada às necessidades de regimes que, em vez de promoverem a transparência, preferem obscurecer e distorcer a realidade.
Governos corruptos dominam essa arte com maestria. Ao se apropriarem dos meios de comunicação, garantem que apenas suas narrativas sejam amplificadas, enquanto quaisquer vozes dissonantes são silenciadas ou desacreditadas. Para isso, valem-se de estratégias que vão desde a cooptação da imprensa até a intimidação de jornalistas independentes. Em um ambiente assim, o jornalismo investigativo se torna uma espécie em extinção, substituído por um noticiário pasteurizado, cujo principal papel é legitimar a agenda dos poderosos.
Hannah Arendt, ao analisar os regimes totalitários, destacou que a mentira organizada não é apenas um instrumento de manipulação, mas também uma estratégia de desmoralização dos opositores. Quando um governo corrupto toma para si essa técnica, ele não apenas esconde seus desvios, mas também destrói a credibilidade de quem ousa denunciá-los. Trata-se de um ciclo vicioso, no qual a informação controlada não apenas blinda os corruptos, mas também torna a população refém de uma realidade fabricada.
Para que isso ocorra, a mordaça imposta à imprensa é essencial. Privados de informação confiável, os cidadãos são levados a acreditar que não existem alternativas, que os escândalos não passam de invenções oposicionistas e que qualquer tentativa de questionamento é, na verdade, uma afronta à estabilidade política. O resultado é um ambiente onde a impunidade floresce e a corrupção se perpetua.
Em democracias saudáveis, a imprensa exerce um papel fiscalizador indispensável. No entanto, quando se converte em mera ferramenta de entretenimento ou bajulação, perde sua função essencial. Como bem sintetiza a crítica mordaz de muitos analistas. Ouso dizer, sem nenhum demérito ao colunismo social, mas imprensa que não investiga, não denuncia e não forma opinião, só age para alimentar o ego da High Society.
Governantes corruptos sabem que uma imprensa livre é sua maior ameaça. Por isso, buscam esvaziá-la de conteúdo crítico e transformá-la em um instrumento de distração. Quando os jornais trocam investigações por efemérides, cedem ao jogo daqueles que desejam um povo alheio aos desmandos do poder. Afinal, quando a imprensa se restringe a noticiar agendas banais como o aniversário dos governantes ou meros atos de proselitismo político, ela prova que não tem valor, mas preço.
A sociedade precisa compreender que, sem um jornalismo atuante, não há democracia plena. E que a história já provou, de forma dolorosa, onde pode levar o casamento entre propaganda governamental, censura e corrupção. Goebbels pode ter morrido em 1945, mas suas técnicas continuam vivas. E o maior antídoto contra elas é a verdade.
Tácio Júnior é jornalista, pela Universidade Federal do Acre, acadêmico de sistemas para internet, pelo Instituto Federal do Acre, e assessor do vereador André Kamai.