As cores de uma sociedade entorpecida

As cores de uma sociedade entorpecida

O Acre, Ah o Acre! Que dias que vivemos, meus amigos. Até as cores não têm paz. Em vez de embelezar nossas ideias e pensamentos, passaram a ser usadas para marcar posições nada ideológicas. Proselitismo puro! A política passa pela efervescência que lhe é peculiar. A cada dia a sociedade se mantém mais distante da política.

— Não quero ouvir falar sobre isso — dizem uns.

— Não queremos saber dos partidos e nenhum presta — dizem outros.

E nós vamos vivendo, ou melhor, sobrevivendo usando os nossos instintos. A consciência e a formação dos grandes seres humanos, voltados às mudanças sociais, estão cada vez mais raras. Parece até que a economia não merece ser discutida, que a educação não nos interessa e que as políticas de saúde de nada nos adianta.

Esse entorpecimento social é atrelado ao afastamento, ou ausência, de uma verdadeira representatividade democrática. Para grande parte do povo, ninguém merece sua confiança, voltamos às ordens feudais. As eleições são avaliadas em custo benefício, os eleitores são monetizados, têm valor contábil. E alguns gostam que o jogo seja assim. Senhor feudal e vassalos? Não, isso é coisa do passado. Eleitores e eleitos travam uma batalha onde a sociedade fica atônita observando e vendo o tempo passar, sem música para assobiar, sem rumo onde andar… mas com ídolos a adorar e inimigos a cuspir.

E as crianças? Coitadas das crianças, que são números e por vezes apenas números atrevidos.

— Quanto gasto!

— Vocês têm que passar de ano!

— E vocês vão passar!

— E que passem logo!

— Tem mais crianças querendo comer a merenda.

— Que merenda!?

— Educação!? Ora de nada nos servem essas discussões. Não viu que o sistema já existe?

Pior que este sistema se alimenta da desinformação e só os doidos pensam em mudá-lo. E quando o assunto são nossos Jovens!? Emprego!?

— Coisa nenhuma! Não têm experiência, então não sabem trabalhar, e não merecem trabalhar, são muito jovens ainda, um dia, quem sabe, podem ser “alguma coisa”. E se ficarem velhos, que não nos tragam trabalho.

Que tempos, meus amigos! A Sociedade realmente adoeceu. Prefiro sonhar com dias mais coloridos e acreditar em mais Quixotes e menos Panças.

*Eduardo Ribeiro é advogado.