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ARTIGOS

Discurso não apaga histórico: Pascoal ataca projetos, mas não explica crise que deixou na Saúde

Discurso não apaga histórico: Pascoal ataca projetos, mas não explica crise que deixou na Saúde

As declarações do ex-secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, tentando desqualificar a reativação de uma UPA no Tucumã, soam menos como preocupação técnica e mais como tentativa de reescrever a própria história.

Ao dizer que “não basta construir uma UPA” sem equipe e estrutura, Pascoal tenta assumir o papel de especialista responsável. O problema é que esse discurso entra em choque direto com o que foi a sua gestão: marcada por denúncias, reclamações constantes da população e uma rede de saúde que, na prática, já operava com falhas graves.

Discurso bonito, realidade caótica

Falta de medicamentos, unidades superlotadas, profissionais sobrecarregados e pacientes à espera de atendimento. Esse foi o cenário denunciado repetidamente enquanto Pedro Pascoal comandava a saúde estadual.

Agora, fora do cargo, ele aparece para apontar dificuldades estruturais como se esses problemas não fossem exatamente aqueles que ele teve a responsabilidade de resolver e não conseguiu.

É um argumento que beira o contraditório: quem não conseguiu fazer a máquina funcionar, agora tenta ensinar como ela deveria funcionar.

UPA de Cruzeiro do Sul: o exemplo que desmonta o discurso

O próprio Pascoal cita a UPA de Cruzeiro do Sul. E aí está o ponto mais frágil da sua fala.

A unidade virou símbolo de dificuldades, atrasos e limitações operacionais. Ou seja: o problema não era apenas “falta de planejamento” de terceiros era gestão.

Se nem as estruturas já existentes conseguiram atingir pleno funcionamento durante sua administração, com que autoridade ele agora afirma o que é ou não viável?

Denúncias que não podem ser ignoradas

Durante sua passagem pela Secretaria de Saúde, Pedro Pascoal esteve no centro de uma série de denúncias e críticas públicas:

* Falta recorrente de medicamentos básicos;
* Colapso em unidades de urgência;
* Filas e demora na regulação de pacientes;
* Reclamações de servidores sobre condições de trabalho;
* Questionamentos sobre contratos e execução de serviços.

Não se trata aqui de julgamento definitivo, mas de fatos amplamente relatados e que colocaram sua gestão sob forte pressão.

E diante desse histórico, sua atual postura crítica levanta uma pergunta inevitável:

por que esses problemas não foram resolvidos quando ele tinha a caneta na mão?

Crítica técnica ou oportunismo político?

A fala de Pascoal tenta se apoiar em argumentos técnicos, mas o contexto político é evidente.

É mais fácil apontar dificuldades depois que se deixa o cargo do que enfrentá-las enquanto gestor. Mais fácil dizer “não dá” do que apresentar soluções.

E talvez esse seja o ponto central: a crítica não vem acompanhada de autocrítica.

A população não quer discurso quer solução

Enquanto o debate político segue, quem paga a conta é a população. São milhares de pessoas que dependem exclusivamente do sistema público e que continuam enfrentando dificuldades no acesso à saúde.

A discussão sobre a UPA do Tucumã não pode ser reduzida a narrativas. Ela precisa ser baseada em compromisso real com resultado.

Porque no fim das contas, o que está em jogo não é quem tem o melhor argumento
é quem realmente entrega saúde funcionando para a população.

Willamis Franca, jornalista do Notícias da hora