Tivemos nos últimos dias a divulgação por um site local, de uma pesquisa eleitoral realizada pela Delta Agência de Pesquisa (talvez a última do ano), cujos resultados praticamente repetem os anteriores. Para governador, o senador Alan Rick está muito à frente com 42,89%, o prefeito de Rio Branco Tião Bocalom aparece em segundo com 22,32%, enquanto a vice-governadora Mailza Assis (PP) tem 15,21%. O candidato da esquerda Thor Dantas (PSB) não passa de 1,25%. Emerson Jarude, que nem é candidato, surge com 7,3%. Brancos e nulos, somam 3,37%. Os que não sabem responder, são 7,35%. Numa perspectiva de segundo turno, Alan Rick dispara com cerca de 60% dos votos enquanto os adversários não passam da casa dos 20 e poucos por cento, o resto fica por conta de brancos e nulos. Do lado da rejeição, a situação se inverte, Alan Rick tem o menor índice, o que sinaliza para maiores possibilidades de conquista de indecisos.
Com a persistência desses números pode-se dizer que a tendência de eleição do senador ao governo é bastante consistente. Tanto que o experiente e sempre inteligente senador Marcio Bittar cometeu um ato falho em discurso recente, e deu como certa a eleição do Alan Rick. Fez muito bem em desculpar-se humildemente com o prefeito e com o governo, mas, porém, contudo, todavia, naquele momento o inconsciente falou o que o bom senso sugere.
Obviamente, não é que a eleição esteja decidida, é que apesar de muitos políticos e jornalistas insistirem na prevalência da força da grana, do poder, da máquina... o voto para o governo difere muito daquele das brenhas municipais onde a ação direta prevalece. A eleição do governador é decidida mais na imagem do que no exercício bruto do poder, seja financeiro ou político. O próprio Gladson Cameli provou isso em sua primeira eleição e continua, por isso, inalcançável em suas pretensões ao senado. O governador vende melhor a sua imagem do que seu governo.
Tá, mas estamos distantes e há tempo para construir a imagem dos outros candidatos e desconstruir a do Alan Rick, diria o leitor. Bem, tempo há, o que não parece haver é motivo e condições. O que mais seria possível fazer para catapultar seus oponentes que nos últimos meses não evoluíram nadinha? Não me digam que faltou propaganda. E a desconstrução do senador? Improvável. Precisaria haver um esqueleto do king kong em algum armário do Alan Rick para que metade de seus eleitores prováveis o abandonassem, mas não parece existir nem o de um mico leão-dourado. E as coligações partidárias ainda por serem seladas? Sinto decepcionar, mas vice não costuma entregar votos. Se os tivesse apresentar-se-ia ao governo. O que vice entrega na campanha é tempo de propaganda, segurança, uma ou outra simbologia e apoio parlamentar, se o tiver.
Alan, que vem de pela quarta vez frequentar a lista de melhores senadores do Brasil, defende princípios e valores conservadores e fez há tempos uma opção clara em defesa da anistia aos manifestantes de 08 de janeiro incluindo Bolsonaro. Certamente apoiará Flávio Bolsonaro, seguindo a posição política já declarada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Posiciona-se, portanto, à direita no espectro político. Além disso, mas não menos importante, é o que se pode chamar de novo numa futura governadoria.
E a disputa para o Senado? Também parece ir se consolidando a tendência. Com algumas flutuações decorrentes da entrada de novos atores, os dados indicam que as duas vagas serão disputadas por Gladson (29%), Marcio Bittar (16%), Jorge Viana (13%) no time da frente. Num segundo pelotão, se engalfinham Jéssica Sales, Mara Rocha, Petecão e Eduardo Veloso. Neste caso, como na pesquisa o segundo voto não foi extraído, não dá para cravar nadinha de nada. É bem possível que contados os dois votos haja alguma alteração e, também, que as coisas mudem dependendo do julgamento no próximo dia 17/12 (se houver), ou, da desistência de algum postulante. Essa enxurrada de candidatos ao Senado no campo da direita, termina por beneficiar o candidato da esquerda, Jorge Viana, o que poderia ser evitado se um ou dois calçassem as sandálias da humildade e optassem por ser sócio da vitória ao invés de dono da derrota.
Aqui, um parêntesis. Amanhã ou na quarta-feira deverá será votado no Senado o projeto de anistia (transformado em dosimetria) que veio da Câmara dos Deputados. Será um momento interessante para saber em que bumbo baterá o senador Sérgio Petecão que até aqui vem postergando uma definição sobre o assunto. Como o Kassab liberou o voto, é possível que pela primeira vez o Petecão desagrade ao Lula da Silva, o que lhe dará uma nesga de crédito com o bolsonarismo.
Se houver alguma modificação no projeto, como promete Espiridião Amim, volta para a Câmara, onde os deputados analisarão e votarão novamente. Espera-se que desta vez as duas deputadas acreanas que votaram pela manutenção da prisão das mulheres, mães, idosas e doentes de 08 de janeiro repensem seus votos, assim como os dois deputados que preferiram “ir tomar uma coca” durante a votação. A mesma coisa se aplicará no caso de ir do Senado à sanção do Lula da Silva e ele vetar. Caberá a derrubada do veto e aí veremos quem é quem. Em resumo, vem aí novas oportunidades para os deputados candidatos mostrarem se estão com Lula-Xandão, ou seja, se vão mesmo dispensar o voto da direita rejeitando a anistia/dosimetria.
Evidentemente, durante a campanha, todos eles (os atuais parlamentares) terão oportunidade e obrigação de justificarem suas escolhas em suas votações. Quem vota com Lula é de esquerda, quem vota contra é de direita e estamos conversados. As posições de cada um são legítimas, o que não podemos é assistir o farisaísmo como se fôssemos idiotas. Essa fuga para o “centro” que muitos estão fazendo, inclusive o lulopetismo local, é tática bem manjada. O “centro” é o cafofo dos omissos, de quem se dispõe a negociar na surdina, de quem se escuda em meias verdades para não ter que dizer mentiras completas, o que dá no mesmo.
E a esquerda, sumiu? Não. Ela é bem maior do que sugerem os dados minúsculos do Thor Dantas, a esquerda no Acre tem o tamanho dos votos do Jorge Viana e do Lula da Silva (algo em torno dos 25%). Não aparecem na votação para governador porque estão na zona de conforto oferecida pelo governo e adjacências. Além disso, os candidatos que surgem são figurantes, os protagonistas não se atrevem, com exceção do Jorge, a encarar a disputa majoritária sem o risco de passar vergonha. Alguns confundem e dizem que o Jorge tem votos na direita, mas isso é um equívoco que serve apenas para ele atenuar o lulopetismo e ensaboar o discurso. Ainda mais com a bendita polarização, quem vota em candidato da esquerda é a esquerda e c’est fini.
Enfim, os próximos dias prometem uma movimentação que poderá alterar o quadro atual da disputa para o Senado. Para o governo, pelo menos por enquanto, o que temos é o que dizem os números da pesquisa. Como faltam nove meses para as eleições, é possível que alguma intercorrência perturbe o andamento, mas já se pode desconfiar de que sendo realizado o acompanhamento correto e tomadas as devidas precauções, em outubro o enxoval será republicano.
