Sobre homens e moleques

Sobre homens e moleques

Quem conhece um pouco a docência do saudoso Ariaro Suassuna, sabe que ele não gostava de banalizar adjetivos. E concordo com o grande mestre, pois adjetivos têm simbolismos e precisamos saber com algum grau de precisão o que significam as palavras.

Por isso, hoje resolvi falar um pouco acerca das palavras HOMEM e MOLEQUE, não como substantivos, mas como adjetivos. Isto porque o tipo de ofensa “você é moleque!” tornou-se banal na arena pública. Nesse sentido, a palavra HOMEM, sem nenhuma acepção de gênero, é a antítese de MOLEQUE.

Primeiro, vamos tentar compreender o que seria um HOMEM (aqui no sentido de caráter, não de gênero). O HOMEM, segundo a minha compreensão (e claro que podem discordar) é a PESSOA que, mesmo falível como qualquer ser humano, está em constante esforço para evoluir, tornar-se melhor, procurando fortalecer as virtudes e mitigar os defeitos. O HOMEM tem bom caráter, boa reputação, importa-se com o próximo e não alimenta a maledicência na comunidade.

Agora vamos entender o MOLEQUE, que, em perspectiva inicial, faz tudo ao contrário do HOMEM. O MOLEQUE, para começar, costuma ter péssima reputação, a qual pode ser vislumbrada com breve consulta ao Google. Faça o teste: escreva o nome de uma pessoa no Google e veja o que já foi noticiado sobre ela. Já podemos ter aí forte indício de que o sujeito é um MOLEQUE.

O MOLEQUE também tem o problema da covardia. É o tipo de gente que ofende muitos por trás de um teclado ou de uma tela de vídeo, mas jamais repetiria a afronta na frente do próprio ofendido. Há MOLEQUES que, ainda no campo da covardia, agridem fisicamente mulheres e ainda sustentam que elas mereceram a agressão. Aí é muita molecagem!

No campo profissional, o MOLEQUE costuma simplesmente prostituir sua atuação, mudando facilmente de lado, opinião, linha editorial ou comportamento por menos do que trinta moedas de prata (ou seja, é ainda mais barato do que Judas). Medíocre e fracassado no trabalho, somente não melhora e evolui porque gasta quase todo o seu tempo com a maledicência e a injustiça.

O pior tipo é o MOLEQUE MILICIANO DIGITAL, que sonha em ser respeitado e influenciador, mas não consegue superar suas próprias limitações intelectuais e de caráter. Será simplesmente esquecido ou lembrado como alguém desprezível. Nessa categoria, o MOLEQUE alimenta seu currículo com várias condenações judiciais e tem o hábito de fugir dos oficiais de justiça para não ser citado/intimado e responder por seus atos. Aí já parece um MOLEQUE e BANDIDO!

Vivemos entre HOMENS e MOLEQUES. Com um pouco de atenção, não é difícil fazer a distinção.