Sobre os candidatos ao voto de Deus e seus valores

Sobre os candidatos ao voto de Deus e seus valores

Lá na Bíblia, passeando pelos evangelhos, você encontra Jesus afirmando que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. Assistindo o cenário político acreano, parece que tem uma galera que se diz representante dele aqui pela terra querendo atualizar esse verso, afinal… Qualquer um tem sido chamado, e muitos têm sido vendidos como o “escolhido”.

Se levarmos as palavras dos púlpitos a sério, o divino escolheu muitos candidatos para falar por ele aqui embaixo. Só tem que combinar melhor, porque considerando o número de candidatos com base evangélica tentando um segundo mandato, mais os que estão ansiando por estrear nos assentos dos poderes, e de plus uns nomes velhos e adaptáveis agarrando a narrativa… Vai ser muito escolhido para pouca cadeira!

Lembrando que Jesus também ensina sobre grupos e divisões. Um reino dividido contra si mesmo não resiste… Será que o mesmo voto vai alcançar tanta gente?
Chega a ser desonroso ver a forma que estão vendendo candidatos contraditórios e cheios de rastros de corrupção como “homens e mulheres de Deus”, como se isso significasse competência, lucidez, honra ilibada. Sacramentam o profano para conquistar seus anseios políticos e garantir os valores (não me pergunte qual o tipo).

Me lembra da história de Saul, o primeiro rei de Israel, que muitos teimam em dizer que foi escolhido pelo povo. Não, não foi. Segundo a crença judaico-cristã o povo pediu um rei, mas quem escolheu foi o divino. E esse escolhido, por suas atitudes, é rejeitado por Deus. Sabe qual era a diferença? O profeta da história, representante de Deus ali, se colocou contra a situação calamitosa que o povo se encontrava. Tinha em seu caráter a preocupação com o povo a que servia. Ele sim, enviado por um Deus que cuida, busca uma nova pessoa para ascender politicamente como um líder para um povo em dor.

Atualmente, os que se denominam profetas pintam pessoas com adjetivos que elas não tem, para agradar um povo que só precisa reforçar o que já ouve, iniciando uma experiência desenfreada de concordância cega e religiosa.

O povo? Ah, o povo... A grande maioria não tem noção do que acontece nas rodas de negociatas entre partidos e igrejas. Garanto que os diálogos assustam aos que assistem pela primeira vez.

Nessa confusão toda, o que sei é que ovelhas ficam sem pastor, discursos sem coerência, testemunhos manchados pelo cabresto, inúmeras decepções, e bibelôs de tribuna sendo eleitos.

Vinícius Charife é um jovem jornalista acreano que muito observa, muito ouve e, (in)felizmente, muito se expressa.