Voto, o direito conquistado que não podemos deixar de lado para exercer a cidadania

Voto, o direito conquistado que não podemos deixar de lado para exercer a cidadania

Inseridas em uma sociedade totalmente voltada ao homem e que há milênios tenta nos ocultar dos espaços de poder/da História, nós mulheres sempre tivemos que nos esforçar em dobro na busca da igualdade. São inúmeros os episódios em que precisamos nos unir, resistir e levantar contra as opressões impostas devido ao preconceito de gênero, machismo ou subestimação da nossa capacidade, até mesmo intelectual. Mas com força e garra lutamos contra e promovemos grandes mudanças sociais.

Um exemplo claro disso é o simples, mas extremamente essencial para a Democracia, ato de votar. Isso mesmo. Parece absurdo, mas as mulheres conquistaram esse direito há pouco tempo. Apenas 85 anos nos separam daquele 24 de fevereiro de 1932, data em que o Código Eleitoral brasileiro vigente à época passou a assegurar o voto feminino. Apesar de ter sido uma grande conquista, já que sofrer as consequências das escolhas dos homens era mais uma injustiça contra todas, ela ainda não era assegurada.

Somente no ano de 1934 que o voto feminino passou a ser previsto na Constituição Federal e enterrou de vez a possibilidade de algum lunático propor a revogação da garantia dada pelo Código Eleitoral. Mas parece que a maioria de nós está desinteressada em fazer valer essa prerrogativa tão importante para todas as cidadãs. Apesar de representarmos 52,49% do eleitorado brasileiro, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somos mais da metade, os índices de abstenção nas eleições só cresce.

Exemplo disso são as duas últimas eleições no nosso país. Em 2018, 20,3% de nós não compareceram às urnas. Dois anos depois, em 2020, um recorde absurdo: 23,14% dos que podiam votar deixaram de lado esse direito tão importante. Imagine você optar por não escolher quem vai lhe representar e atender seus interesses como cidadã pelos próximos anos? Apesar de ter o direito e a necessidade de cobrar o melhor sempre, ficar sem votar abre precedentes para que haja anulamento total da sua cobrança.

Vivemos um momento importante para todas as advogadas do país. Está em curso o processo eleitoral do Conselho Federal e de todas as Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Historicamente, a advocacia acreana se abstém de escolher as pessoas que trabalharão em prol da Seccional Acre e de cada uma delas. É uma realidade triste e que precisa ser mudada de forma urgente. A oportunidade está posta novamente para cada um exercer o seu poder de decisão e escolha própria.

Não existe bem maior para cada advogada e advogado que a nossa OAB. Ela é independente, limpa, livre de amarras ou afeita a interesses pessoais alheios. Especialmente no nosso estado, foi um longo processo para que a nossa instituição tivesse a moralidade e o respeito resgatados. Sabe como isso aconteceu? Pelo voto e participação direta de cada um dos que sonharam a nossa Ordem como ela é atualmente. Se todos aquelas e aqueles estivessem se ausentado, tudo continuaria igual e não haveria avanços.

Votar não é importante somente pela participação ou poder de escolha. É extremamente essencial para que você possa cobrar, fiscalizar e participar ativamente na construção dos projetos. Dá base para que a participação nos processos decisórios, de melhoria, reajustes e todos os outros que envolvam a advocacia recebam seu crivo. Vamos mudar a nossa realidade, advogada. Participe plenamente destas eleições. Manifeste suas posições. Vote em quem você deseja. Afinal, a Ordem é para todas nós!

*Marina Belandi, vice-presidente da OAB/AC