No artigo anterior, defendemos que a Amazônia precisa de crédito mais barato como estratégia de desenvolvimento regional. Argumentamos que aplicar as mesmas condições financeiras em realidades tão desiguais no Brasil limita o crescimento e aprofunda distâncias históricas.
Mas tão importante quanto discutir o custo do dinheiro é discutir quem consegue, de fato, acessar esse dinheiro.
No Acre, o desafio central não é apenas a existência de linhas de financiamento. O ponto decisivo é transformar crédito disponível em crédito efetivamente acessado. Porque não há desenvolvimento sem investimento — e não há investimento sem financiamento.
Crédito é instrumento de oportunidade. Ele permite ao produtor ampliar sua produção, ao pequeno empresário expandir seu negócio, à agroindústria modernizar equipamentos e à economia local gerar empregos e renda.
E quando o acesso melhora, os resultados aparecem.
Um exemplo concreto é o avanço do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) no Acre. Com o fortalecimento das políticas de regularização fundiária e maior organização produtiva, o volume de crédito contratado no estado cresceu de forma expressiva. Nos últimos três anos, mais de R$ 1 bilhão foram injetados na economia acreana por meio do crédito rural.
Isso significa investimento direto na produção, compra de matrizes e bezerros, aquisição de insumos e equipamentos, fortalecimento das cadeias produtivas e dinamização do comércio local. Significa mais renda circulando e menos dependência econômica.
Crédito acessado vira produção.
Produção vira renda.
Renda movimenta a economia.
Mas esse número revela não apenas o que já foi feito — revela o tamanho do potencial que ainda pode ser alcançado.
Se o governo avançar de maneira estruturada na regularização fundiária, na regularização ambiental, no fortalecimento da assistência técnica e na criação de estratégias de garantia para pequenos produtores e empreendedores, temos condições reais de duplicar esse volume de crédito nos próximos anos. Existe demanda reprimida, existem produtores aptos a crescer e há cadeias produtivas com enorme capacidade de expansão. O que falta é estratégia política integrada.
No meio urbano, a lógica é semelhante. Pequenos empresários precisam de apoio para estruturar planos de negócio, melhorar sua gestão e acessar linhas de financiamento. Parcerias com universidades, instituições financeiras e entidades de apoio empresarial fortalecem esse processo e ampliam o impacto econômico do crédito.
O resultado é direto: mais crédito acessado significa mais investimento, mais empregos e crescimento econômico.
O Acre precisa de instrumentos concretos para transformar crédito em desenvolvimento. Não basta que o recurso exista. É preciso criar as condições para que ele chegue na ponta.