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Baixaria - com Cesário Braga

Juros altos e o custo do atraso: por que a Amazônia precisa de crédito barato

Juros altos e o custo do atraso: por que a Amazônia precisa de crédito barato

Não existe desenvolvimento sem crédito acessível. Investir antes de produzir — seja em fábricas, agroindústrias, tecnologia ou infraestrutura familiar — depende de financiamento. No Brasil, porém, candidatos a empreendedores e famílias enfrentam custo elevado do dinheiro em todo o país, resultado de juros altos que encarecem o crédito, travam investimentos e desviam capital para aplicações financeiras rentistas. Assim, quem produz paga mais caro para financiar seus projetos, enquanto a renda financeira preserva lucro garantido em títulos públicos.

Essa lógica uniforme de juros não faz sentido em um país tão desigual. Aplicar as mesmas condições financeiras em realidades tão distintas aprofunda desigualdades regionais — e penaliza justamente as áreas que mais precisam crescer.

A Amazônia, por exemplo, responde por cerca de 5,8% do PIB nacional, apesar de possuir um dos maiores potenciais produtivos ainda por explorar. A desigualdade regional se reflete em menor presença industrial, baixa agregação de valor, menos empregos formais e dependência de commodities e de uma logística onerosa. Tudo isso já eleva o custo de produzir na região. Cobrar juros iguais aos praticados nos grandes centros econômicos é penalizar, mais uma vez, quem enfrenta desafios estruturais maiores.

Se o custo logístico é maior, o custo financeiro deveria ser menor. O crédito precisa funcionar como instrumento de estímulo ao desenvolvimento, não como mais uma barreira. Isso vale para financiar indústrias de transformação, bioeconomia, cadeias produtivas locais e também para o crédito pessoal. Porque desenvolvimento não é feito apenas por grandes empreendimentos: ele depende de dinheiro circulando na economia local. Quando famílias têm acesso a empréstimos mais baratos, elas consomem no comércio da região, reformam suas casas, investem em pequenas iniciativas. Esse ciclo gera renda, gera empregos e fortalece o mercado interno.

É preciso romper com essa uniformidade de tratamento financeiro entre as regiões do Brasil e corrigir distorções historicas. Levando investimentos para onde ele naturalmente não chega.

A proposta é clara e estratégica: que todas as modalidades de crédito — produtivo e pessoal — tenham juros pelo menos 25% menores do que as atuais práticas de mercado quando contratadas por agentes econômicos, empreendedores ou famílias estabelecidos na Amazônia.
Isso significa, por exemplo, que uma operação de crédito que hoje seja oferecida a 15% ao ano poderia ser oferecida a 11,25 % na Amazônia; uma linha de 8 % poderia cair para 6 % — reduzindo o ônus financeiro e compensando parte dos custos estruturais que oneram nossos empreendimentos.

Essa redução não é privilégio: é correção de desigualdade historicas e estímulo ao crescimento regional. Crédito mais barato para toda a cadeia — do produtor ao consumidor — amplia investimento, gera emprego e faz o capital circular dentro da própria região, fortalecendo a economia local e diminuindo dependências externas.

Sem crédito barato e com regras uniformes para todas as regiões, a Amazônia continuará relegada à condição de exportadora de commodities e importadora de produtos de maior valor agregado. Com condições financeiras específicas — incluindo juros 25% menores para qualquer operação de crédito — a Amazônia pode finalmente transformar seu potencial produtivo em desenvolvimento econômico real e sustentável.