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Café Sem Açúcar | Com Dora Monteiro

Café, palanque e cafeína eleitoral

Café, palanque e cafeína eleitoral

Tião Bocalom transformou o café em projeto político, discurso administrativo e quase religião municipal. Em toda solenidade tem alguém defendendo o grão como se o futuro econômico do Acre dependesse exclusivamente de um coador e água quente. Nos bastidores da política, já tem secretário tomando cafezinho em público com a mesma solenidade de quem assina convênio milionário. Se continuar nesse ritmo, o próximo slogan da prefeitura pode ser: “Rio Branco: uma cidade passada na hora”.

Bestene acelera o plantão

Em pouco mais de um mês no comando da Sesacre, Zé Bestene já começou a reorganizar setores que andavam no ritmo de fila de regulação em feriado prolongado. Mutirões do “Opera Acre”, envio do “Saúde Itinerante” para comunidades isoladas e reforço nos hospitais deram à Sesacre um raro sentimento de movimento contínuo. Nos corredores, servidores dizem que o secretário trocou o “vamos ver” pelo “faz agora”.

Saúde chega de voadeira onde política chega de helicóptero

Enquanto muitos políticos só aparecem em comunidade ribeirinha em época de eleição, a Sesacre voltou a colocar equipes do programa “Saúde na Floresta” em áreas isoladas do Acre. Consulta médica, vacinação e atendimento especializado passaram a subir rio em voadeira para alcançar famílias esquecidas no mapa oficial.

Beija-mão eleitoral

Alan Rick desembarcou nas aldeias acreanas em modo novela das seis: distribuiu abraços, beijos e um caminhão de adjetivos açucarados. “Minha princesa”, “meu amor”, “minha linda”, “meus queridos”… Faltou só carregar um violão e cantar Roberto Carlos na beira do rio. Há quem diga que o senador treinou no espelho por semanas para decorar tanto carinho repentino. Em ano pré-eleitoral, até quem nunca gostou de farinha aparece pedindo receita de pirarucu.

Feijó sem patrola

O apoio do prefeito de Feijó a Alan Rick parece ter custado caro, literalmente. Depois da declaração política, o Deracre passou a quinta-feira recolhendo máquinas do município. Na rádio cipó da política acreana, o comentário era um só: “quem escolhe padrinho cedo demais pode acabar sem trator”. O clima ficou tão pesado que tinha servidor olhando retrovisor achando que a patrol também seria rebocada.

O beijo que congelou no ar

Já em Sena Madureira, o prefeito Gerlen Diniz resolveu manter a diplomacia tropical e tascou um beijo em Mailza Assis durante agenda oficial. O problema é que, segundo testemunhas políticas, a recepção foi mais fria que o ar-condicionado da Aleac. Depois, aliados do prefeito deixaram o evento antes do discurso da governadora. Mailza respondeu no microfone com ironia de professora de ensino médio: “Obrigada aos educados, teve gente que saiu”. No Acre, até entrega de título definitivo termina em treta do prefeito birrento.

Amor político não correspondido

Apesar do constrangimento público, Mailza disse depois que continua tentando conquistar o apoio de Gerlen Diniz. Traduzindo do politês: o namoro acabou, mas ela ainda manda um “oi sumido, precisamos conversar".

Vice fora do altar eleitoral

Nos corredores do poder, o comentário é que Jéssica Sales teria perdido força para ocupar a vice na chapa de Mailza. A explicação atribuída aos bastidores mistura conservadorismo, cálculo eleitoral e medo da artilharia adversária. Em resumo, no Acre de 2026, o marketing político continua mais preocupado com o púlpito do que com palanque.

Puxadinho gourmet no Julião

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil entrou em cena depois de denúncias sobre reformas clandestinas e puxadinhos criativos em apartamentos no conjunto Manoel Julião. A fiscalização encontrou modificações feitas sem autorização e alertou para risco estrutural nos prédios. Traduzindo para o português de condomínio: teve morador confundindo apartamento com Lego. No Acre, tem gente derrubando parede com a mesma tranquilidade de quem troca cortina, depois todo mundo se espanta quando a porta do vizinho deixa de fechar.

Botafogo viaja, Acre balança

Enquanto a BR-364 segue colecionando crateras capazes de engolir suspensão de caminhão, a empresa acreana Trans Acreana apareceu transportando o elenco do Botafogo de Futebol e Regatas em São Paulo. A ironia virou meme instantâneo: o ônibus de luxo consegue rodar para time de Série A no Sudeste, mas sofre para enfrentar a rodovia acreana. É o Acre exportando conforto e importando buraco.

Onde até ônibus entra em exílio

A cena do ônibus moderno da Trans Acreana circulando em estradasu paulistas deixou uma pergunta no ar: será que a BR-364 já pode pedir música no Fantástico ou ainda está ocupada desviando de si mesma?