Direita e esquerda: será que vão provocar a ‘reiva’ de Moisés Diniz

Direita e esquerda: será que vão provocar a ‘reiva’ de Moisés Diniz

Vivi pra ver o ex-comunista Moisés Diniz ser atacado por quem ele defendeu há décadas! Parece que a vingança quer substituir a justiça. Entra em campo um estado meio que selvagem, desafiando a civilização, tamanho tem sido o ódio destilado pelas redes sociais.

Se nessa terra, onde costuma-se dizer que nem meio fio tem - imagine muro baixo - ter a iminência de um cacique como Moisés Diniz, abrir o verbo e jogar no ventilador tudo que sabe e viu sobre os bastidores da política, abrindo assim, a caixa preta da extinta FPA, seria no mínimo, preocupante.

Eu não cutucaria onça com vara curta.

Acredito que boa parte dessa turma – muitos com tempo de sobra – tem assistido aos capítulos da novela Pantanal, para saber que não é nada recomendável provocar a ‘reiva’ de quem tem o poder da informação.

Tive alguns embates com o ex-deputado Moisés Diniz quando ele era do PCdoB e eu fazia jornalismo político na Assembleia Legislativa do Acre até o dia que ele deixou de me confundir com outro colega de trabalho de mesmo nome. Chegou a ser cômico. Depois demos boas gargalhadas. Passei a lhe acompanhar pelas redes sociais e a respeitá-lo pelas poesias. Ele parece que é um dos que não perdeu a capacidade de contar as estrelas.

Vivemos um momento na política que se conhece na ciência como tubo de ensaio. Nomes lançados à sucessão do Palácio Rio Branco no tabuleiro de apostas com a missão de suportar as altas e baixas temperaturas da política. Nada além disso, a não ser a tentativa de desestruturar alianças, do “construir pontes”.

E cá pra nós, a imprensa, diante do “silêncio” do governador Gladson Cameli, em torno do nome oficial que vai concorrer a pré-candidatura de vice-governador, parece ter ficado meio que embasbacada na busca de um furo de reportagem. Creio que algumas manchetes não venderam o esperado, ficaram mais para o comodismo das especulações.

No cenário cinzento do ambiente eleitoral, que mistura-se literalmente às queimadas urbanas, a derrubada da estátua de Chico Mendes levantou mais reações do que o assassinato do petista Marcelo Arruda por um bolsonarista armado que invadiu sua festa de aniversário, no Paraná. Dois episódios lamentáveis. Fatos que mostram o risco que vivemos nesse extremismo que domina os que se consideram de direita ou de esquerda nesse país.

Parece que damos um passo atrás à barbárie em episódios cada vez mais surpreendentes há três meses antes das eleições.

É preciso levantar a bandeira da paz derrubada ao chão. Inverter o papel do militante predominante na sociedade, recusando ódio e defendendo respeito as regras e, principalmente, respeito as diferenças.

Esse deve ser um sentimento nacional, aprofundado no coração de cada brasileiro, das nossas lideranças políticas, para que assim, a política siga seu curso normal e seguro. Tratamos do futuro dos nossos filhos e netos.

Jairo Carioca é jornalista, assessor de imprensa e estar na coordenação da Rede Aldeia de Rádios FM.