Eleitor do Acre vai de “X-Tudo” em 2022

Eleitor do Acre vai de “X-Tudo” em 2022

Neste ano, as eleições serão um mix de salada, e dada a “lei da sobrevivência” que marca o período de pré-campanha, os chefes de partidos resolveram adotar a tal “lei de murici”, cada qual por si e Deus por todos.

As investidas do experiente deputado federal Flaviano Melo (MDB-AC) pedindo fidelidade partidária para sua chapa majoritária, chega a ser – com todo respeito – delirantes. O glorioso vai desfiliar os cargos comissionados que ainda resistem à caneta azul e orbitam nos escalões do Palácio Rio Branco pedindo votos para a reeleição de Gladson Cameli?

Como diz Pedroso (1999), o que está fora é reflexo do que está dentro, e o MDB cobra uma fidelidade que não consegue no próprio partido.

Mas isso não é uma especialidade do MDB do Acre.

Um olhar mais aprofundado faz entender que a “lei da sobrevivência” tem prevalecido mais do que a fidelidade partidária nas eleições deste ano e praticamente todas as siglas sofrem com essa falta de exatidão.

Vejamos:
O União Brasil, tem o senador Márcio Bittar como presidente lançando a esposa, Marcia Bittar, pré-candidata ao senado pelo PL. Pelo mesmo partido de Bittar, já Alan Rick foi ungido como pré-candidato ao senado com apoio do Palácio Rio Branco e sem apoio da própria sigla. O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, do PP, faz pré-campanha aberta para o Petecão do PSD e declara apoio à pré-candidatura de Mailza Gomes ao senado. Os exemplos são muitos, ocupariam várias laudas.

Está servida uma sopa de contradições com pouquíssimo tempero, diria que muito ensossa. Uma sensação de duelos e vitórias que vem sequestrando, no momento mais oportuno, temas e propostas para desenvolver o Acre.

Além disso, há um certo desencantamento pelo atual modelo de democracia representativa que tem emergido novos debates sobre a obrigação de os partidos serem fiéis com eles mesmo, haja vista o descompromisso dos mandatários com o conteúdo programático pelo qual se elegeram.

Talvez, por isso, mesmo o mandato sendo do partido, o eleitor brasileiro e, especialmente o acreano, siga a tendência de votar em pessoas e não em siglas. E cá pra nós, não cabe jogar essa cota de fidelidade na conta dos pré-candidatos. Muitos deles estão ameaçados pelos “caciques” de terem legenda. Buscam a sobrevivência.

Bem que se tentou uma reforma política. Que pena que o Congresso não venceu a hiperfragmentação, e o sistema político partidário tem uma parcela de culpa na bagunça atual.

Nada contra o apelo feito pelo deputado Flaviano Melo, a ideia é boa, mas, em meio a ausência de ideias e de identidade nas siglas, isso é como enxugar gelo.

Vá preparando o seu cafezinho, a sua Coca-Cola e olhando o cardápio. Eu adoro um X-Salada, creio que a maioria vai de X-Tudo. O voto esse ano vai ser uma salada mista.

Jairo Carioca é jornalista e assessor de imprensa. Está coordenador da Rede Aldeia de Rádios FM do Sistema Público de Comunicação do Acre.