Selfie na ceia de natal com peru “alugado”

Selfie na ceia de natal com peru “alugado”

A água fervente foi despejada no coador, enquanto o café cozinha com a água deixada sobre o fogo, até que ferva por alguns instantes, vou me inspirando para minha volta ao jornalismo escrito no noticiasdahora.com

Café e política combinam.
Mas, não perderei meu precioso tempo falando de políticos nesse primeiro artigo. Tenho andando muito pelas regiões do Acre nos últimos dias, percebido que esse é um tema que o cidadão corre léguas, sem qualquer compromisso ou comprometimento. E olha que estamos à beira das eleições.

O aroma do café que cozinha invade o ambiente.
Me lembrei que assim como o café, os preços da cesta de natal desse ano assustam os acreanos. Não precisa ser nenhum especialista em economia para cair na realidade. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta 5,91% mais cara a cesta do bom velhinho. O principal produto: o peru, é um dos que registram preços mais elevados nas redes de supermercados de Rio Branco. O kg está acima dos R$ 25. Uma elevação de 7,27% com relação ao ano passado.

A alta da ceia que segundo a Fundação Getúlio Vargas chega a 27% segue nos demais produtos analisados. O tradicional panetone está 26% mais caro do que em 2020, lidera a lista de aumentos nos produtos natalinos. Além do panetone, tiveram aumento de dois dígitos a azeitona verde sem caroço (21,91%) e a caixa de bombom de chocolate (12,83%).

Segundo o economista Alex Barros, entrevistado do Papo de Cafezinho da última sexta-feira (3), o Acre foi o único estado da federação que diminuiu o número de pessoas vivendo na miséria. Ainda assim, tem mais de 140 mil pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza. No Brasil, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) são quase 28 milhões. Em 2019, antes da pandemia de Covid-19, eram pouco mais de 23 milhões de indivíduos nesta situação.

Como será a ceia dessa faixa miserável de brasileiros e acreanos?

Certamente eles não terão mesa farta. Talvez um cafezinho fraco pelas manhãs frias nesses tempos de fortes chuvas. O papai Noel deles está doente e endividado. Até o tradicional panetone está 26% mais caro do que em 2020, lidera a lista de aumentos nos produtos natalinos.

Humoristas aconselham as famílias improvisarem selfies com peru “alugado”.

Bom humor é o que não falta ao brasileiro, mesmo com os efeitos da pandemia na saúde pública, o conteúdo humorístico foi o mais consumido nos últimos dois anos. Cerca de 89% dos entrevistados do estudo Tracking Globo Covid-19 optaram pelo entretenimento como fuga, uma espécie de válvula de escape para a crise. Foi assim com a fase aguda da pandemia, tem sido assim com a inflação que atingiu os dois dígitos e que é responsável pelos aumentos consecutivos na ceia de natal e na cesta básica.

E não é à toa que o brasileiro gosta de um bom cafezinho.
Quatro xícaras de café por dia diminuem em 10% as chances de cair em depressão. A cafeína funciona como um antidepressivo suave por aumentar a ação da dopamina, neurotransmissor que produz sensação de bem-estar.

Bem, terminei de tomar meu cafezinho.
A sensação de voltar a escrever é prazerosa. Certamente, muitas outras xícaras de café e boa prosa virão, para brindar os leitores dessa coluna que traçou um caminho perfeito da Rádio para o site.

Jairo Carioca
(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)
Jornalista, atualmente, diretor da Rede Aldeia de Rádios FM – Sistema Público de Comunicação do Acre
É ancora do Programa Cidadania que tem o quadro Papo de Cafezinho.