O enigma econômico

O enigma econômico

Que o Estado do Acre está vivenciando uma verdadeira crise econômica já não é mais novidade para ninguém. O modelo econômico proposto pelos últimos governos baseado em diretrizes ambientais foi fracassado e a maior comprovação disso foi que bastou a apresentação de uma ideia superficial de desenvolvimento econômico tendo o agronegócio como nova diretriz, sem nenhum modelo efetivamente construído de como seria essa nova alternativa, sem nenhum plano de ação ou qualquer materialidade, a mera propositura de uma ideia foi suficiente para reascender as esperanças do povo acreano que abraçou tal proposta como sendo a única tábua de salvação. 

Em momento mais oportuno, após essa crise do coronavírus (covid-19), estarei escrevendo especificamente os motivos que me levam a fazer ambas afirmações: de que o modelo anterior fracassou e que uma ideia somente não será a salvação para esse estado.

Agora quero convidar você caro leitor a mais uma vez esvaziar sua xícara do conhecimento cheias de conceitos e pré-conceitos, para uma nova PESPECTIVA.
A grande questão a ser resolvida nesse momento de pandemia envolve algo que já abordamos aqui no artigo denominado “O VALOR DA VIDA”. Um verdadeiro dilema que se apresenta aos gestores públicos, vendo que o número de casos no Acre já chega na tarde desta segunda-feira, 20 de abril, de acordo com boletim da Secretaria de Estado de Saúde, pois temos 1.552 (hum mil, quinhentos e cinquenta e dois) casos notificados, dos quais temos 176 (cento e setenta e seis) casos confirmados, 08 (oito) óbitos, e ainda temos 251 (duzentos e cinquenta e um) casos em análise.

Se compararmos aos números informados pela própria Secretaria na última segunda-feira, dia 13 de abril, tínhamos 953 (novecentos e cinquenta e três) casos notificados, dos quais 90 (noventa) casos confirmados, 03 (três) óbitos e 78 (setenta e oito) aguardando análise. Um crescimento de aproximadamente +63% (sessenta e três por cento) nos casos notificados, +95% (noventa e cinco por cento) dos casos confirmados, +166% (cento e sessenta e seis por cento) nos óbitos, e +221% (duzentos e vinte e um por cento) nos casos em análise, o que demonstra claramente que estamos numa verdadeira crescente da pandemia e que comprova a transmissão comunitária da doença em nosso estado, exigindo de nossas autoridades medidas cada vez mais duras de isolamento social e protocolos de higiene elevado nos locais já autorizados a funcionar.

O enigma econômico que precisa ser desvendado pela Administração Pública é complexo, pois a cada dia de medida restritiva de isolamento social que se faz necessário para preservar vidas e dar esperanças de tratamento adequado aos infectados pela doença, também vem trazendo prejuízos inestimáveis à economia, tendo como principal reflexo a queda na arrecadação dos impostos, diminuindo o poder de investimento do próprio Estado em áreas essenciais como educação, segurança e saúde.
Mas o que fazer? Se reabrir a economia, far-se-ão necessários investimentos agressivos para ampliação dos leitos de tratamento intensivo, pois o aumento de casos será inevitável, e tal ação poderia nos levar a situações de colapso do sistema de saúde como já ocorre nos Estados do Amazonas e do Ceará.

Para solucionar, ou tentar minimizar, os impactos desse enigma, que vem sem dúvida tirando o sono do Governador, dos Prefeitos e dos empresários, faz-se necessário criar um planejamento estratégico, que envolva diversos setores do Executivo Estadual, em parceria com os demais Poderes, com as Prefeituras e principalmente com o setor privado do nosso Estado, uma grande força tarefa para definir medidas, prazos e avalie a evolução de cada variável nesse contexto.
Pouco se sabe de forma eficaz sobre esse vírus, mas algumas medidas já poderiam ser adotadas, como por exemplo um programa de testagem em massa, que poderia trazer algumas informações importantes para tomada dessa decisão, pois os que já tivessem contraído a doença, após a testagem, poderiam retornar a suas atividades.

Outra ação que iria, sem dúvida alguma, auxiliar nesse processo, seria um programa de educação e conscientização em massa. Essa é uma guerra de informação, as pessoas comuns precisam saber que medidas são eficazes para cada etapa dessa pandemia, o que fazer para evitar a contaminação, para evitar a transmissão, principais sintomas e em que momento procurar as unidades de saúde de forma que não seja tão precoce, mas que também não seja tardia.

A criação de um protocolo adequado de prevenção para cada setor da iniciativa privada, alinhado à criação de hospitais de campanha, ampliação de leitos de tratamento intensivo e o fornecimento maciço de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), geraria um ambiente necessário para a retomada progressiva das atividades econômicas em nosso estado.

Tais ações trariam a retomada gradual das atividades econômicas, tirando do ostracismo o setor privado, porém necessitaria ainda de mais algumas intervenções do governo, para gerar emprego e distribuir renda.

É real a necessidade de que o Estado apresente seus projetos e faça licitações estruturantes para o desenvolvimento da infraestrutura e assim gere uma espiral positiva na economia.

Em um Estado tão limitado de alternativas econômicas, se não houver uma ação orquestrada de maneira imediata, sem dúvidas o antídoto em excesso irá se transformar em veneno, pois sem a utilização da inteligência para definição de um plano de retomada da economia, os prejuízos causados terão reflexos catastróficos, podendo, o Acre, retornar a uma realidade de incertezas quanto ao principal evento econômico das últimas décadas, o pagamento dos servidores públicos.