Um grupo de mães atípicas realizou um ato simbólico em frente à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Centro de Rio Branco, para denunciar a falta de políticas públicas voltadas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Vestidas de preto, em sinal de luto pelo descaso do poder público, as manifestantes soltaram balões como símbolo de esperança e inclusão.
A principal reivindicação das mães é a falta de suporte para diagnóstico e tratamento adequado das crianças com TEA, incluindo o acesso a terapias, medicamentos e acompanhamento educacional. Elas denunciam que há filas de espera que se estendem por anos e que a rede pública de saúde e educação não consegue atender à crescente demanda.
Luzenir Figueiredo, faxineira e mãe de dois filhos com autismo, relata as dificuldades enfrentadas para conseguir atendimento para as crianças.
“Isso significa nossa indignação. No dia 2 de abril, falam bonito sobre o Dia do Autismo, mas tudo fica só na teoria. Meu filho de cinco anos é não verbal, tem língua presa e precisa de cirurgia, mas está há três anos na fila de espera no CEI e no Mundo Azul. O governo não coloca profissionais capacitados para atender essa demanda crescente, e ficamos abandonados. Estamos de preto porque estamos de luto por um sistema que não funciona.”
Maria Cristiane, dona de casa e mãe solteira de duas crianças, uma diagnosticada com TEA e outra em investigação, também expõe as dificuldades.
“Na época das eleições, eles prometem tudo, mas depois não cumprem nada. Não conseguimos nem os remédios básicos pelo SUS. Minha filha de nove anos não sabe ler, meu filho de 13 anos sabe muito pouco e sofre por não acompanhar os colegas. Não há mediadores suficientes nas escolas, e sem laudo não conseguimos nada. Mas como conseguir um laudo se não há neurologistas? Uma consulta particular custa R$500. Ontem foi o Dia da Conscientização do Autismo, mas não há nada para comemorar. Só tristeza e desespero.”
As mães denunciam que a quantidade de profissionais especializados não acompanha a crescente demanda por atendimento. Sem diagnóstico, muitas crianças ficam sem suporte adequado na escola, prejudicando seu aprendizado e desenvolvimento.
A manifestação buscou chamar a atenção das autoridades estaduais para a urgência de políticas públicas eficazes que garantam atendimento digno às pessoas com TEA e suas famílias. Até o momento, o governo não se pronunciou sobre o protesto.