O lançamento do novo livro de Alessandro Borges não acontece apenas em um endereço — acontece em um ponto de origem. No próximo dia 24, às 8h, a quadra da Escola Marilda Gouveia Viana, no bairro João Eduardo I, em Rio Branco, se transforma em palco literário para a chegada de Sorriso Estranho, nona obra do escritor conhecido como Poeta da Baixada — um autor que construiu sua trajetória entre ruas de periferia, salas de aula e páginas de resistência.
É ali, no mesmo espaço onde deu os primeiros passos na educação formal, que o poeta escolheu apresentar ao público uma de suas narrativas mais densas. O retorno não é casual: é gesto, é memória, é círculo que se fecha — e se abre novamente por meio da palavra.
Contemplado pelo Edital de Arte e Patrimônio, dentro da Política Nacional de Cultura Aldir Blanc, com apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), o livro mergulha em uma história contada em primeira pessoa, conduzida pela voz de uma menina marcada por abusos desde a infância. A narrativa expõe dores frequentemente escondidas sob o silêncio social e convida o leitor a encarar temas que costumam permanecer à margem das conversas públicas.
Mais que literatura, a obra se propõe a ser confronto e escuta. Para Alessandro Borges, lançar o livro na escola tem força simbólica. Ele define o ambiente escolar como território de germinação humana e intelectual. É onde, segundo o autor, nascem não apenas leitores, mas consciências.
Ao longo dos anos, o Poeta da Baixada transformou a própria caminhada em projeto coletivo. Seu trabalho extrapola livros publicados: percorre escolas públicas, comunidades e espaços culturais com saraus, oficinas e palestras, usando a poesia como ponte entre experiência, crítica social e incentivo à leitura. Sua escrita carrega marcas urbanas, vozes invisibilizadas e uma estética que aproxima literatura e realidade cotidiana.
O reconhecimento também acompanha o percurso. Recentemente, o escritor recebeu a Ordem do Mérito Cultural Acreano — a mais alta honraria concedida a autores no estado — distinção que celebra tanto sua produção literária quanto sua atuação como mobilizador cultural. A premiação consolida o papel do poeta como agente de memória, denúncia e esperança.
Em Sorriso Estranho, o que se anuncia não é apenas mais um título na estante, mas um convite à escuta — dessas histórias que doem, mas precisam ser contadas — especialmente no lugar onde toda leitura começa: a escola.
