Com 30 espécies e subespécies registradas, o Acre ocupa posição de destaque no ranking nacional da diversidade de primatas, figurando entre os quatro estados brasileiros com maior número desses animais. Inserido integralmente na Amazônia, o Estado reúne espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção, reforçando sua importância estratégica para a conservação da fauna no país.
O Brasil lidera o ranking mundial de diversidade de primatas, com 151 espécies e subespécies reconhecidas oficialmente. Presentes em todos os Estados, esses animais encontram na Amazônia seu principal reduto — e o Acre desponta como uma das áreas mais relevantes desse bioma, ao lado de gigantes territoriais como Amazonas, Pará e Mato Grosso.
De acordo com dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), obtidos por meio da plataforma pública Salve e validados por especialistas do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas (CPB), o Acre divide a quarta colocação nacional com Rondônia. O levantamento considera apenas espécies nativas e ressalta que novas pesquisas podem ampliar o conhecimento sobre a distribuição dos primatas na região.
Entre os principais símbolos da primatofauna acreana está o bigodeiro (Tamarinus imperator), conhecido internacionalmente por sua aparência marcante, com longos pelos faciais que lembram um bigode estilizado. No Brasil, a espécie ocorre praticamente apenas no Acre, o que torna o estado fundamental para sua preservação.
Outro destaque é o uacari-careca (Cacajao ucayalii), primata de aparência singular e comportamento discreto. Embora tenha ampla ocorrência no Peru, sua presença em território brasileiro é restrita ao Parque Nacional da Serra do Divisor, no extremo oeste acreano — uma das áreas mais preservadas e biodiversas da Amazônia.
A diversidade de primatas no Acre reflete a boa conservação de grandes extensões florestais, especialmente em unidades de conservação e terras indígenas, que funcionam como refúgios naturais diante das crescentes pressões do desmatamento e das mudanças climáticas.
Acre no contexto amazônico
No ranking nacional, o Amazonas lidera com 95 espécies, seguido por Pará (40) e Mato Grosso (32). Ainda assim, especialistas destacam que a posição do Acre é expressiva, considerando sua extensão territorial menor em relação a esses estados. A presença de 30 espécies coloca o território acreano como um verdadeiro corredor de biodiversidade entre o Brasil, o Peru e a Bolívia.
A distribuição dos primatas no Estado também reforça a necessidade de estudos contínuos, já que muitas áreas ainda são pouco pesquisadas. Segundo primatólogos, novas ocorrências podem ser registradas, ampliando ainda mais o papel do Acre no cenário nacional da conservação.
A diversidade de primatas do Acre integra um patrimônio natural de valor incalculável, não apenas para o Estado, mas para todo o Brasil. Inserido na região Neotropical — que concentra cerca de 30% dos primatas do planeta — o território acreano assume protagonismo na preservação de espécies que não existem em nenhuma outra parte do mundo.
