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"Exposição não combina com santidade”: fala da influenciadora Rogéria Rocha sobre o uso de biquíni gera debate nas redes

"Exposição não combina com santidade”: fala da influenciadora Rogéria Rocha sobre o uso de biquíni gera debate nas redes

A declaração da influenciadora acreana Rogéria Rocha associando o uso de biquíni à falta de santidade cristã provocou ampla repercussão nas redes sociais e reacendeu um debate recorrente sobre os limites entre a fé individual e a imposição de padrões morais coletivos, especialmente no que diz respeito ao corpo feminino.

Convertida ao cristianismo evangélico entre 2024 e 2025, Rogéria tem utilizado suas plataformas digitais para compartilhar testemunhos e reflexões sobre sua nova fase de vida religiosa. Em um vídeo recente, ela afirmou que não usa biquíni por convicção cristã, classificando a peça como “praticamente uma roupa íntima” e defendendo que “exposição não combina com santidade”.

Embora ressalte que não se trata de julgamento, o conteúdo foi interpretado por parte do público como uma tentativa de normatizar comportamentos a partir de uma leitura religiosa específica.

A fala da influenciadora é embasada em trechos bíblicos como Romanos 12:2, 1 Timóteo 2:9 e 1 Coríntios 6:19, utilizados para sustentar a ideia de que o corpo deve glorificar a Deus e, portanto, ser tratado com modéstia. Especialistas e internautas apontam, no entanto, que essas passagens admitem diferentes interpretações dentro do próprio cristianismo e não representam um consenso entre igrejas ou fiéis.

Outro aspecto que chamou atenção foi o fato de o debate recair quase exclusivamente sobre o corpo das mulheres. Críticas nas redes destacam que o discurso não aborda questões como o olhar masculino, a responsabilidade individual de quem consome conteúdos nas redes sociais ou os padrões estéticos impostos pela própria sociedade.

Para esses críticos, a abordagem acaba reforçando uma lógica histórica de controle do corpo feminino, criando distinções morais entre mulheres consideradas “modestas” e aquelas vistas como “expostas”.

Também gerou controvérsia a afirmação de que publicar fotos de biquíni “não é liberdade” e que a forma de vestir “comunica quem governa a vida” da pessoa. Apesar do tom apresentado como respeitoso e educativo, muitos usuários interpretaram a mensagem como um juízo de valor sobre escolhas pessoais que não seguem a mesma orientação religiosa.

Rogéria Rocha soma atualmente mais de 500 mil seguidores e passou por um processo público de conversão, que incluiu testemunhos em podcasts cristãos, o casamento com um pastor da Assembleia de Deus em 2025 e declarações recentes de que busca viver a fé sem “performance religiosa”. Ainda assim, a influência de suas falas levanta discussões sobre a responsabilidade de figuras públicas ao tratar de temas sensíveis em um país plural, laico e culturalmente diverso.