Os terremotos registrados no Acre estão ligados a processos geológicos profundos que ocorrem na borda oeste da América do Sul. A explicação foi detalhada pelo geofísico e youtuber Sérgio Sacani, ao comentar a dinâmica das placas tectônicas e a relação entre a subducção na região dos Andes e os abalos sentidos no extremo oeste do Brasil.
Segundo Sacani, o movimento das placas começa em escala global, como no caso da dorsal mesoatlântica, cadeia submarina no meio do Oceano Atlântico onde as placas se afastam gradualmente. “No meio do Atlântico, uma placa está se separando da outra. Ali fica a dorsal mesoatlântica, um grande vão com fontes hidrotermais e atividade vulcânica. As placas sul-americana e africana se afastam alguns centímetros por ano”, explicou.
Ele destacou que, no lado oposto do continente, ocorre o processo inverso: a placa oceânica mergulha sob a continental na costa do Pacífico. “No Chile, uma placa entra embaixo da outra, formando os Andes. Quando essa placa vai entrando, a rocha derrete em grandes profundidades. É justamente nessa zona que acontecem terremotos que acabam sendo registrados no Acre”, afirmou.
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que o estado registrou, em 3 de agosto de 2025, um terremoto de magnitude 5,0 a cerca de 487 quilômetros de profundidade, com epicentro próximo a Feijó, na fronteira com o Peru. Como ocorre na maior parte dos casos na região, o abalo teve foco profundo e baixa intensidade percebida na superfície.
Medições geodésicas recentes mostram que a Placa Sul-Americana se desloca para oeste entre 27 e 34 milímetros por ano, enquanto a placa de Nazca avança sob o continente a taxas que variam de 60 a 80 milímetros por ano na faixa do Peru. Esse choque em grande profundidade gera os chamados sismos intraplaca, típicos do Acre.
Especialistas apontam que, apesar de relativamente frequentes, esses tremores apresentam baixo risco de danos, justamente por ocorrerem a centenas de quilômetros abaixo da superfície. A energia sísmica se dissipa ao atravessar as camadas internas da Terra, reduzindo os efeitos nas áreas habitadas.
O monitoramento contínuo por redes sismográficas nacionais e internacionais tem ampliado a compreensão desses fenômenos e permitido respostas mais rápidas aos registros de atividade sísmica na Amazônia ocidental.
