A queda do regime de Nicolás Maduro é vista como um marco histórico por venezuelanos que vivem fora do país. No Acre, o técnico em refrigeração Nahum Soliz, de 43 anos, afirma que o momento representa esperança de mudança após mais de duas décadas de crise política, econômica e social na Venezuela.
Há apenas três meses no Brasil, Soliz vive atualmente em Rio Branco com a filha pequena, que nunca conheceu a terra natal do pai. Antes disso, ele morou por dois anos no Peru, integrando o fluxo migratório que se espalhou por diversos países da América do Sul.
"O desejo do coração de todo migrante venezuelano é voltar para sua nação, mas para uma Venezuela diferente, com princípios, valores, respeito e tolerância”, afirma.
Segundo ele, os últimos 25 anos foram marcados por um regime que sufocou a economia, desestruturou o tecido social e afetou diretamente as famílias. “Não é só a economia que foi destruída, mas também a família, os relacionamentos e a vida cotidiana. Na Venezuela, não se pode falar publicamente do sistema de governo. Quem fala é reprimido”, relata.
Soliz descreve um país rico em recursos naturais — como petróleo e minerais —, mas mergulhado em uma crise profunda. “É difícil explicar ao mundo como uma nação tão rica vive em tanta miséria e decadência”, diz. Ele cita o colapso de serviços básicos como educação e saúde, com universidades fechadas, hospitais sem estrutura e mulheres dando à luz nas portas das unidades por falta de insumos.
Para o venezuelano, a crise também teve impacto direto na juventude, impedida de estudar e construir um futuro no próprio país. “Nossos filhos foram profundamente afetados. Muitos jovens não puderam ir à universidade porque não tinham recursos, e o sistema simplesmente entrou em colapso”, afirma.
Ao comentar o cenário internacional, Soliz menciona declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma eventual intervenção política no processo de transição venezuelano. Para ele, qualquer iniciativa que leve a uma mudança positiva e pacífica é aguardada com expectativa pela diáspora.
Crítico ao modelo político adotado nas últimas décadas, Soliz associa a crise venezuelana a projetos revolucionários que, segundo ele, resultaram em empobrecimento e instabilidade, citando reflexos semelhantes em outros países da região. “A revolução não enriquece, ela empobrece. Falta tolerância e respeito”, avalia.
Apesar das dificuldades, ele diz manter a esperança. “Estamos aqui dando a cara como venezuelanos, acreditando que veremos um futuro melhor. Meu maior sonho é que o meu filho possa conhecer a Venezuela e abraçar a avó em um país reconstruído”, desabafou.
