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No Acre, 139 orelhões seguem ativos apesar do avanço da telefonia móvel no país

No Acre, 139 orelhões seguem ativos apesar do avanço da telefonia móvel no país

Mesmo em plena era da conectividade móvel, o Acre ainda mantém 139 telefones públicos em funcionamento, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os equipamentos, popularmente conhecidos como orelhões, resistem como último recurso de comunicação em áreas onde não há cobertura mínima de telefonia móvel com tecnologia 4G, critério adotado para garantir o acesso básico ao serviço de voz.

No Estado, a presença dos telefones públicos evidencia as desigualdades de infraestrutura digital, especialmente entre a capital e os municípios do interior. Rio Branco, maior cidade do Acre, conta atualmente com apenas três orelhões ativos, enquanto Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade, possui oito unidades. Em contraste, municípios mais afastados concentram a maior parte dos equipamentos: Feijó lidera com 25 telefones públicos, seguido por Sena Madureira (24), Tarauacá (22), Porto Walter (13) e Marechal Thaumaturgo e Mâncio Lima, ambos com seis unidades cada.

A manutenção desses aparelhos ocorre em caráter provisório. Com o encerramento das concessões da telefonia fixa em dezembro de 2025, iniciou-se oficialmente o processo de extinção gradual dos telefones de uso público em todo o Brasil. De acordo com o cronograma definido pela Anatel, os orelhões remanescentes deverão ser desativados até 31 de dezembro de 2028.

Criados em 1972, os telefones públicos se tornaram um dos maiores símbolos do acesso democrático à comunicação no país. Idealizado pela arquiteta Chu Ming Silveira, o modelo chegou a integrar uma rede nacional com mais de 1,5 milhão de terminais, mantidos por força contratual pelas concessionárias após a privatização do setor, em 1998.

No Acre, no entanto, a permanência dos orelhões vai além da memória afetiva. Em regiões onde o sinal de celular ainda é instável ou inexistente, os equipamentos seguem cumprindo um papel essencial para moradores que dependem do serviço para emergências, contato com órgãos públicos e comunicação básica.

Com a transição do regime de concessão para o modelo de autorização, sob responsabilidade do setor privado, a Anatel afirma que revisa os critérios de universalização do serviço. Até lá, os orelhões acreanos permanecem como símbolo de um Brasil desconectado dentro da Amazônia, resistindo entre o avanço tecnológico e a realidade de quem ainda não chegou à era digital.