Uma postagem publicada na quinta-feira, 22, pelo jornalista Altino Machado nas redes sociais reacendeu o debate sobre responsabilidade médica e transparência no sistema privado de Saúde após a morte da professora aposentada Nadir Souza, de 84 anos, ocorrida em Rio Branco. No texto, o jornalista afirma que o caso não pode ser tratado como fatalidade nem amenizado por comunicados formais, defendendo que o episódio ultrapassa os limites do aceitável.
Segundo Altino Machado, Dona Nadir — reconhecida como referência histórica da Educação acreana e figura respeitada no município de Xapuri — deu entrada em uma unidade da Unimed no dia 12 para um procedimento considerado simples e rotineiro: a reposição de sódio para correção de hiponatremia. O jornalista destaca que não se tratava de cirurgia de risco nem de um quadro imprevisível.
Na publicação, ele relata que havia prescrição médica expressa determinando que a reposição fosse feita de forma lenta, ao longo de oito horas, justamente para evitar complicações neurológicas graves. No entanto, conforme informações da família reproduzidas no texto, o procedimento teria sido realizado em cerca de uma hora e meia, em razão de problemas na bomba de infusão e falhas de monitoramento.
Altino Machado afirma que as consequências foram severas. O excesso de sódio teria provocado taquicardia, seguido de duas paradas cardíacas, além de uma lesão neurológica irreversível identificada posteriormente. A professora foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, após 11 dias de internação, morreu.
Na avaliação do jornalista, houve a violação de um protocolo médico básico, e essa falha teve como resultado a perda de uma vida. Ele sustenta que, em um sistema de saúde comprometido com a ética e a segurança do paciente, o caso deveria ter provocado afastamentos imediatos, auditoria independente e comunicação pública transparente, o que, segundo ele, não ocorreu até o momento.
O texto também critica o silêncio da operadora de saúde. Para Altino Machado, a ausência de um posicionamento público da Unimed reforça a percepção de que a lógica corporativa de autoproteção estaria se sobrepondo ao respeito à vida humana, o que ele classifica como inadmissível diante da gravidade do caso.
Além da empresa, o jornalista aponta a responsabilidade das autoridades. Polícia Civil, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina são citados como instituições que têm o dever legal e moral de agir com rapidez, rigor e independência. Segundo ele, a omissão desses órgãos transformaria o episódio em uma dupla violência, atingindo a vítima e a sociedade.
A publicação lembra ainda que Nadir Souza era mãe do professor doutor Sérgio Roberto Gomes de Souza, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal do Acre (Ufac), e afirma que a dor da família é compartilhada por uma comunidade inteira que vê uma educadora ser vítima de falhas humanas evitáveis.
Ao encerrar a postagem, Machado afirma que seu texto não busca consolo em palavras vazias, mas sim justiça. Para ele, sem apuração rigorosa, responsabilização e transparência, a morte da professora Nadir Souza corre o risco de se somar a uma longa lista de casos marcados pela impunidade no sistema de saúde brasileiro.
