A Associação dos Delegados da Polícia Civil do Estado do Acre – ADEPOL/AC emitiu nota de repúdio contra o juiz aposentado e advogado Ednaldo Muniz, que, na manhã desta terça-feira (13), transmitiu uma live em seu Instagram momentos antes de uma operação policial contra o crime organizado.
A nota, assinada pelo presidente da entidade, delegado Emylson Farias, lembra que “o vídeo que expõe placas de veículos descaracterizados utilizados em investigações e rostos/identidade visual de policiais e delegados que atuam em operações da segurança pública — sem autorização e em total desrespeito aos protocolos mínimos de proteção operacional, mesmo o nobre Senhor ter noção, uma vez que é magistrado aposentado”.
O texto acrescenta: “A divulgação desse tipo de conteúdo não é “informação”: é colocar um alvo nas costas de quem combate ao crime organizado. Mostrar no Instagram, sem autorização, rosto de policiais e delegados que estão atuando em operações contra o crime organizado ameaça diretamente a integridade desses agentes e compromete futuras investigações. Em especial, porque organizações criminosas são conhecidamente violentas, possuem histórico de retaliações e já demonstraram, reiteradas vezes, capacidade de identificar, monitorar e atacar investigadores e operadores de
segurança. Não se trata de censura, tampouco de limitar a liberdade de imprensa ou o debate público. Trata-se do mínimo dever de responsabilidade: ninguém tem o direito de transformar segurança pública em vitrine, expondo pessoas identificáveis e meios sigilosos de atuação do Estado principalmente quando isso pode custar vidas e sabotar o combate ao crime organizado. A segurança pública não é entretenimento. Expor placas e rostos de agentes em atuação é
colocar o Estado em desvantagem e o crime organizado em vantagem. É inaceitável”.
