Ao lado do advogado Wellington Silva, ex-PM relembrou o caso, criticou julgamentos precipitados nas redes sociais e afirmou que agiu para proteger a própria família
No podcast Conversa Franca desta semana, o jornalista Willamis Franca recebeu o advogado criminalista Wellington Silva e o ex-policial militar sargento Erisson Nery para comentar a absolvição de Nery no Tribunal do Júri, após uma sessão que durou mais de 11 horas.
O caso, que ganhou grande repercussão no Acre, envolve a morte de um adolescente de 13 anos durante uma invasão à residência do então policial, em novembro de 2017. Durante a entrevista, Wellington Silva explicou que a defesa sustentou a tese de legítima defesa, argumentando que Neri agiu para proteger a própria vida, a família e o patrimônio dentro de casa.
Segundo o advogado, o processo foi cercado por forte pressão social e por julgamentos precipitados, sobretudo nas redes sociais, onde muitas pessoas, segundo ele, condenaram o ex-policial sem conhecer os detalhes do caso. Wellington também destacou que a absolvição reconheceu a consistência da versão apresentada pela defesa ao longo dos anos, além da importância das provas periciais produzidas no processo.
Durante o bate-papo, sargento Nery relatou o sofrimento vivido ao longo de quase nove anos. Ele afirmou que, além de enfrentar o processo judicial, precisou lidar com ataques à própria reputação, exposição pública e o impacto emocional causado à família. Segundo ele, o peso da acusação ultrapassou o tribunal e atingiu diretamente sua vida pessoal, profissional e emocional.
Em um dos momentos mais marcantes da entrevista, Nery relembrou sua trajetória na Polícia Militar e contou que o sonho de ser policial nasceu ainda na infância. Ele disse que sempre enxergou a profissão como uma missão de proteção, e que jamais desejou fazer mal a ninguém. No entanto, afirmou que, naquele momento extremo, agiu para defender a família diante de uma ameaça real dentro da própria residência.
Wellington Silva também ressaltou que casos de grande repercussão exigem responsabilidade na divulgação das informações e criticou o que chamou de “condenação antecipada” promovida por parte da opinião pública. Para ele, a absolvição mostra que a justiça deve se basear nas provas dos autos, e não na pressão popular ou em manchetes superficiais.
Ao final, tanto o advogado quanto o sargento agradeceram ao espaço dado pelo podcast Conversa Franca, destacando que o programa foi um dos primeiros canais a abrir espaço para o contraditório e permitir que a versão da defesa fosse apresentada à sociedade.
A entrevista foi marcada por emoção, desabafo e reflexões sobre justiça, responsabilidade da informação e os danos causados por julgamentos precipitados.
