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POLÍCIA

“Ouvi o tiro e pensei que era assalto… depois vi as crianças descendo em desespero”, relata mãe de aluna sobre momentos de pânico no São José

“Ouvi o tiro e pensei que era assalto… depois vi as crianças descendo em desespero”, relata mãe de aluna sobre momentos de pânico no São José

Uma cena de dor, correria e desespero marcou a chegada da dona de casa Sueli ao Instituto São José, em Rio Branco, poucos minutos após o início do ataque a tiros que resultou na morte de duas funcionárias da unidade de ensino, na tarde da última terça-feira, 5. O depoimento da mãe, colhido durante o velório na Capela São João Batista, na Avenida Antônio da Rocha Viana, revela o terror vivido por pais, alunos e funcionários.

Visivelmente abalada, Sueli contou que mora próximo à escola e que se atrasou por alguns minutos para uma reunião com a direção; atraso que, segundo ela, mudou completamente o rumo daquele dia.

“Esses cinco minutos em que me atrasei… cheguei do outro lado da rua e ouvi o tiro. No começo, achei que estavam consertando o colégio. Quando percebi, falei: ‘é tiro’. Pensei que fosse um assalto”, relatou.

A mãe disse que correu para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a polícia, enquanto alunos começavam a deixar o prédio em pânico. Um dos momentos mais marcantes, segundo ela, foi quando um estudante, em estado de choque, confirmou a morte de uma das funcionárias.

“Desceu um aluno bem desesperado e disse: ‘tia, a tia Zena está morta’. Eu não acreditei. Ele me pediu um abraço. Foi ali que entrei em desespero”, contou, emocionada.

Pouco depois, outra estudante apareceu ferida. “Ela desceu com um ferimento na coxa, a calça rasgada. Disse: ‘tia, eu estou ferida’. Aquilo foi desesperador”, relembrou.

Enquanto aguardava notícias da própria filha, Sueli viveu minutos de angústia extrema. Impedida de entrar na escola pela polícia, ela temia o pior.

“Eu comecei a gritar no pátio. Minha filha não descia. Foi uma das últimas salas a sair. Na minha cabeça, ela estava morta. Ninguém falava nada, ninguém dava notícia”, disse.

A mãe também destacou o impacto psicológico do episódio e fez um apelo por mudanças urgentes na segurança escolar. Para ela, a responsabilidade deve ser compartilhada entre poder público, escola e famílias.

“Os professores são muito abandonados. Falta atenção das autoridades. A gente precisa de união: escola, pais e governo. Nossas crianças estão doentes, enfrentando situações silenciosas como o bullying, e não há acompanhamento suficiente”, afirmou.

Sueli ainda ressaltou a dificuldade dos pais em monitorar totalmente a vida digital dos filhos, apontando a necessidade de políticas públicas mais eficazes.

“Hoje, tudo gira em torno da tecnologia. A gente não consegue controlar tudo. É preciso criar mecanismos, leis e acompanhamento de verdade. Isso não pode continuar acontecendo”, concluiu.

O ataque, cometido por um estudante de 13 anos, chocou a capital e todo o país e reacendeu o debate sobre a segurança nas escolas e a saúde mental de crianças e adolescentes.