Durante visita à Casa de Abrigo de Migrantes, na manhã desta segunda-feira, 5, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, comentou a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e avaliou que o episódio pode representar o início de um processo longo, porém necessário, de reconstrução política e econômica da Venezuela.
Segundo Bocalom, os efeitos da ação internacional não serão imediatos, mas devem abrir caminho para um plano de recuperação do país, baseado na retomada da liberdade econômica e no fortalecimento da democracia. Para o prefeito, a crise venezuelana é resultado de um modelo estatal que sufocou a iniciativa privada e consolidou um sistema que ele classificou como um “narcoestado”.
“Não se resolve um problema dessa magnitude da noite para o dia. Vai levar tempo, mas não tenho dúvida de que, com o retorno da liberdade e da democracia, a economia vai se restabelecer e as pessoas vão voltar a ter perspectiva de vida”, afirmou.
O gestor destacou a grave situação social enfrentada pela população venezuelana, citando o baixo valor do salário mínimo e as restrições impostas pelo governo para acesso a bens básicos, como combustível e alimentação. “Hoje não existe expectativa nenhuma. O salário mínimo é de cerca de cinco dólares e, se o cidadão não atender às exigências do governo, não consegue abastecer o carro ou receber a própria ração. Que governo é esse?”, questionou.
Bocalom ressaltou que esse cenário explica o êxodo de milhões de venezuelanos nos últimos anos, muitos dos quais passaram pelo Acre em busca de sobrevivência e dignidade. Ele afirmou acreditar que a situação tende a melhorar com a mudança política no país vizinho.
O prefeito também defendeu ações mais firmes da comunidade internacional contra regimes ligados ao narcotráfico e elogiou intervenções que, segundo ele, buscam enfraquecer esse tipo de estrutura. Para Bocalom, é preciso romper com discursos que colocam o setor produtivo como inimigo da sociedade.
“O empresário é o grande gerador de emprego e renda. A iniciativa privada é quem melhora a vida das pessoas. Não dá mais para sustentar a ideia de que o Estado tem que ser dono de tudo”, declarou.
Ao final, o prefeito fez um alerta ao mencionar que o Brasil ainda não vive uma situação semelhante, mas demonstrou preocupação com os rumos políticos do país e com possíveis alinhamentos do governo federal, sem concluir a avaliação.
