Quatro em cada dez brasileiros inadimplentes em 2026 já estavam com o nome negativado há dez anos; realidade que também impacta consumidores no Acre e evidencia um ciclo prolongado de dificuldades financeiras. Os dados fazem parte de um levantamento do Mapa da Inadimplência divulgado pela Serasa.
De acordo com o estudo, o Brasil contabiliza atualmente 81,7 milhões de pessoas com contas em atraso, somando mais de 332 milhões de dívidas. Em comparação com 2016, o número de inadimplentes cresceu 38,1%, enquanto o volume total de débitos aumentou 43%.
Além do crescimento no número de negativados, o valor médio das dívidas também subiu. Corrigido pela inflação, o montante por consumidor passou de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13, uma alta de 12,2% em dez anos.
Segundo especialistas, o cenário é impulsionado por fatores como juros elevados, inflação persistente e o uso frequente do crédito como complemento de renda, muitas vezes sem planejamento financeiro. Esse contexto contribui para a manutenção de dívidas por longos períodos, dificultando a recuperação econômica de famílias, inclusive no Acre.
O levantamento também aponta mudanças no perfil dos inadimplentes. A participação de pessoas com mais de 60 anos aumentou ao longo da década, enquanto a presença de jovens entre 18 e 25 anos diminuiu. As mulheres passaram a ser maioria entre os negativados, representando 50,5% do total.
Outro dado relevante é a reincidência: cerca de 34 milhões de brasileiros continuam inadimplentes após dez anos, o que reforça a necessidade de ampliar políticas de educação financeira e estratégias de renegociação de dívidas.
