A inundação registrada no Hospital Geral de Feijó, no interior do Acre, no dia 26 deste mês, durante um forte temporal, pode ter sido provocada por um fator inusitado: um CD (Disco Compacto) encontrado dentro do cano, obstruindo o escoamento da água da chuva. A constatação foi feita durante uma verificação realizada após o alagamento da unidade improvisada onde os atendimentos estão sendo realizados.
Em vídeo que circulou nas redes sociais, a pessoa responsável por conferir o problema relata surpresa ao identificar a causa do entupimento. “Olha aqui o problema da inundação, acredite se quiser, só um CD. Olha a coincidência. O cano entupido com CD. Tá entupido de sujeira, aqui é só questão de limpeza. Agora essa do CD eu não esperava”, afirmou.
O episódio ocorre em meio a uma crise estrutural enfrentada pelo Hospital Geral de Feijó, agravada pelo atraso nas obras de reforma e ampliação da unidade definitiva. Desde novembro de 2024, os atendimentos foram transferidos para um prédio provisório, originalmente destinado à Secretaria de Meio Ambiente, que vem sendo alvo de constantes denúncias sobre precariedade.
Além da inundação provocada pelas chuvas, profissionais de saúde e entidades de classe denunciam falhas graves na unidade improvisada, como a ausência de autoclave para esterilização de materiais e equipamentos de raio-X novos que permanecem encaixotados, sem utilização. As condições levantam preocupações quanto à segurança sanitária de pacientes e trabalhadores.
A reforma e ampliação do hospital, orçada em cerca de R$ 5 milhões, deveria ter avançado ao longo do ano passado, mas, segundo parlamentares e sindicatos, as obras permaneceram paralisadas ou em ritmo considerado insuficiente durante grande parte de 2025.
Diante da situação, o Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) realizou visitas técnicas e acionou órgãos de fiscalização, cobrando a conclusão imediata da obra e alertando para riscos de infecção hospitalar e insegurança no atendimento.
