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POLÍTICA

Bocalom reforça ações de acolhimento a migrantes em visita à Casa de Passagem: “Mesmo sem apoio do governo federal, estamos garantindo dignidade a essas pessoas”

Bocalom reforça ações de acolhimento a migrantes em visita à Casa de Passagem: “Mesmo sem apoio do governo federal, estamos garantindo dignidade a essas pessoas”

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, acompanhado do secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, João Marcos Luz, visitou na manhã desta segunda-feira (5) a Casa de Apoio aos Venezuelanos, localizada no bairro Bosque. A agenda teve como objetivo apresentar e reforçar as ações desenvolvidas pela Prefeitura em favor da população migrante, com foco especial nos venezuelanos que chegam à Capital acreana em situação de vulnerabilidade.

Durante a visita, o prefeito destacou o papel humanitário do município diante da crise migratória provocada, segundo ele, pela situação política e social da Venezuela. Bocalom ressaltou que milhões de venezuelanos deixaram o país na última década e que parte significativa passou pelo Brasil, especialmente pelo Acre, que se tornou uma das principais rotas de entrada. Ele enfatizou que, mesmo sem o apoio financeiro adequado do governo federal, a Prefeitura de Rio Branco tem mantido o acolhimento com recursos próprios, garantindo dignidade, cuidado e respeito aos migrantes.

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“São pessoas que fugiram da fome, da violência e da perseguição. Aqui, procuramos oferecer um acolhimento humano, diferente do sofrimento que muitos enfrentaram em seu país de origem”, afirmou o prefeito, ao destacar que idosos, crianças e pessoas com deficiência também estão entre os atendidos.

De acordo com dados apresentados durante a visita, somente em 2025 a Casa de Apoio já atendeu 654 migrantes, sendo 513 venezuelanos. Também foram acolhidas pessoas de outras nacionalidades, como Colômbia (77), Peru (32), Equador (12), Cuba (10), Chile (5), além de registros pontuais de migrantes dos Estados Unidos, França, Haiti e República Dominicana. Atualmente, o abrigo atende 64 migrantes, dos quais 54 são venezuelanos.

A coordenadora da Casa de Passagem e Abrigo para Migrantes, Carla Adriana, explicou que o serviço funciona há cinco anos no local e tem como principal missão retirar os migrantes da situação de vulnerabilidade extrema. Segundo ela, muitos chegam a Rio Branco após longas jornadas a pé, necessitando de alimentação, cuidados de saúde e acolhimento imediato. O trabalho inclui apoio para emissão de CPF, acesso ao SUS, encaminhamentos para atendimento médico, assistência jurídica, além de parcerias para inserção no mercado de trabalho.

“Atualmente, temos cerca de 30 crianças acolhidas. Nosso objetivo é dar autonomia e condições para que o migrante possa seguir sua jornada, seja se estabelecendo no Brasil ou seguindo para outras regiões do país”, explicou a coordenadora. Ela acrescentou que, após os recentes acontecimentos políticos na Venezuela, muitos manifestam o desejo de retornar ao país de origem, principalmente por manterem vínculos familiares e culturais.

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O secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, João Marcos Luz, reforçou que Rio Branco tem assumido grande parte dos custos do acolhimento, apesar de se tratar de uma responsabilidade compartilhada com a União. Segundo ele, o município oferece atendimento social, psicológico, acesso à saúde, emissão de documentos, inclusão em programas sociais e encaminhamento para o mercado de trabalho. Apenas no segundo semestre, nove migrantes já foram inseridos em empregos na iniciativa privada.

João Marcos Luz alertou para o atraso no repasse de recursos federais e destacou que os municípios estão arcando com cerca de 70% das despesas. “A alimentação, a saúde e o acolhimento são urgentes. Precisamos de mais apoio financeiro para manter a qualidade do atendimento”, pontuou.

Apesar das incertezas quanto a uma possível nova onda migratória, o secretário afirmou que há esperança de que o fluxo diminua e que muitos migrantes possam, inclusive, retornar à Venezuela. “O que desejamos é que o futuro seja de esperança e dignida.