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POLÍTICA

“Coronelismo sindical enfraquece produtores”, diz Barbary, presidente do Sindicato Rural de Cruzeiro do Sul, ao criticar gestões prolongadas no agro

“Coronelismo sindical enfraquece produtores”, diz Barbary, presidente do Sindicato Rural de Cruzeiro do Sul, ao criticar gestões prolongadas no agro

O presidente do Sindicato Rural de Cruzeiro do Sul, Tarciso Barbary, divulgou uma nota pública em que faz duras críticas à permanência prolongada de dirigentes à frente de federações do setor agropecuário. Segundo ele, gestões que se estendem por mais de três décadas podem gerar desgastes institucionais, perda de representatividade e abrir espaço para irregularidades administrativas.

Sem citar nomes, mas se referindo a Assuero Veronez, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC), Barbary enfatizou que a permanência de um presidente por 32 anos – em uma federação cria um ambiente propício ao que ele classifica como “coronelismo sindical” e perpetuação no poder. “A permanência de um presidente em uma federação de agricultura por mais de três décadas cria um ambiente propenso a desgastes institucionais graves e riscos de gestão”, afirmou.

De acordo com o dirigente, um dos principais problemas é o personalismo na condução da entidade, quando a figura do presidente passa a se confundir com a própria instituição, dificultando o surgimento de novas lideranças. “Quando isso ocorre, a federação passa a depender de uma única pessoa. Isso inibe novas ideias, reduz a alternância no poder e enfraquece a transparência nos processos eleitorais”, destacou.

Barbary também alerta que gestões muito longas podem resultar em desconexão com as necessidades dos produtores, especialmente os mais jovens ou de pequeno e médio porte. “O líder veterano pode perder a sensibilidade para as demandas da base, priorizando apenas grupos que sustentam sua permanência política”, pontuou.

Na nota, o presidente do sindicato rural também cita riscos de uso indevido da estrutura institucional, como utilização de recursos, veículos e funcionários para interesses pessoais ou políticos.

Outro ponto levantado é a possibilidade de irregularidades envolvendo recursos administrados pelas federações, incluindo verbas provenientes de contribuições do setor e de programas de capacitação rural. Barbary ainda critica práticas como nepotismo e a nomeação de aliados políticos para cargos técnicos, o que, segundo ele, compromete a eficiência da entidade e prejudica os produtores representados.

Para o dirigente, a consequência direta desse cenário é o enfraquecimento da representatividade dos sindicatos rurais e a perda da capacidade de defesa dos interesses do setor produtivo. “Com o tempo, a federação passa a servir ao presidente, e não o contrário. A instituição corre o risco de se transformar em uma empresa familiar ou ferramenta política”, concluiu.

O Sindicato Rural de Cruzeiro do Sul é filiado à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).