A eleição para a presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC), que deveria ser um processo interno voltado ao fortalecimento do setor produtivo, acabou se transformando em um ambiente de forte tensão política, marcado por acusações de interferência, articulações de bastidores e suspeitas envolvendo o processo eleitoral.
Nos bastidores da disputa, dirigentes de sindicatos rurais relatam que a eleição da Federação tem sido tratada como um verdadeiro palanque político antecipado, com nomes ligados à corrida pelo Governo do Acre sendo citados dentro do processo. Entre os mencionados estão Tião Bocalom e Mailza Assis, o que reforça a percepção de que interesses externos estariam tentando influenciar a decisão dos sindicatos.
Segundo relatos de lideranças do setor, telefonemas e mensagens estariam sendo feitos para tentar direcionar votos dentro da eleição da entidade, gerando indignação entre representantes do movimento sindical rural.
Apesar das pressões, alguns presidentes de sindicatos afirmam que suas decisões já foram tomadas e não estão sujeitas a qualquer tipo de negociação política.
“A decisão do nosso sindicato já está tomada. Ela foi construída com responsabilidade, diálogo interno e compromisso com aquilo que acreditamos ser o melhor para a Federação. Não existe espaço para mudança, nem para reavaliação”, afirmou um dirigente.
O posicionamento reforça que o voto institucional não está à disposição de articulações políticas.
“A decisão do nosso sindicato já está tomada. Ela foi construída com responsabilidade, diálogo interno e compromisso com aquilo que acreditamos ser o melhor para a Federação. Não existe espaço para mudança, nem para reavaliação”, afirmou o presidente do sindicato de produtores ruais Cruzeiro do Sul, Tarcísio Barbary.
Presidente de sindicato denuncia tentativa de pressão
O presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Senador Guiomard, Odair José dos Passos, também afirmou que teria sido procurado novamente pela vice-governadora Mailza Assis, pedindo apoio à permanência no comando da Federação.
Segundo ele, as tentativas de convencimento têm se repetido.
“Isso está virando uma rotina. Não foi só com o senhor não, comigo também. A vice-governadora entrou em contato novamente, mandando mensagem aqui falando da extrema importância da permanência no cargo. Eu fiquei até curioso em saber qual é essa importância”, afirmou.
Odair também criticou o que classificou como tentativa de cooptação de votos.
“A palavra de homem não tem curva. Então essa tentativa de cooptação de voto não vai ser frutífera”, declarou.
O dirigente afirmou ainda que tentou buscar uma solução conciliatória para evitar o conflito dentro da entidade, mas disse ter saído frustrado das conversas.
“Deus é testemunha de que nós tentamos fazer uma conciliação para chegar a uma composição que atendesse ambas as partes. Mas eu saí da Federação triste, porque tive que ouvir que do lado de cá não existem pessoas distintas, como se todos nós fôssemos desqualificados”, disse.
Segundo Odair, cada nova tentativa de pressão apenas reforça a posição já tomada pelos sindicatos.
“Cada investida dessa reforça ainda mais o posicionamento de cada um. Não importa o cargo que a pessoa ocupe, pode ser até o presidente da República”, afirmou.
Candidatura barrada e acusação de “tapetão”
A tensão aumentou após a Comissão Eleitoral da FAEAC indeferir o registro da Chapa 2, liderada pelo candidato à presidência José Teles de Oliveira Filho (Zé Filho), presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Tarauacá.
De acordo com a ata de deliberação da comissão eleitoral, a candidatura apresentou uma série de problemas documentais.
Entre as irregularidades apontadas estão:
• ausência de assinatura em requerimento da chapa;
• falta de comprovação da condição de empregador rural;
• documentos de identidade sem autenticação válida;
• selos cartorários com QR Codes ilegíveis ou incompatíveis;
• suspeita de utilização de selo de autenticação pertencente a outra pessoa, levantando questionamentos sobre possível falsidade ideológica.
Para Zé Filho, a decisão representa uma tentativa de impedir a disputa eleitoral por meio de manobras internas.
Ele classificou o processo como uma “nojeira” que estaria manchando a história da entidade.
“Estão conduzindo nossa entidade para uma disputa desnecessária. E o pior é que deram mais um passo no tapetão ao indeferir o registro da nossa chapa”, afirmou.
Em tom ainda mais duro, o dirigente afirmou que se sente envergonhado com a forma como o processo está sendo conduzido.
“Dizem que não somos à altura dessa entidade de homens de bons princípios. Isso me envergonha”, declarou.
