O senador Sérgio Petecão (PSD), 64 anos, possui um total de sete mandatos parlamentares consecutivos em diferentes cargos eletivos, abrangendo as esferas estadual e federal. Perdeu a eleição para prefeito de Rio Branco em 2008, mas não interrompeu a sequência dos mandatos. Em 2022, também concorreu ao governo do Acre, foi novamente derrotado e continuou no parlamento.
Talvez os maiores sociólogos do Brasil não expliquem esse fenômeno político. Ele não é tão político, em se falando de formulação, tampouco tem um discurso arrebatador e tem posições políticas bastante flexíveis. Porém, sabe se comunicar, tem empatia com o povo, é espontâneo e, quando entra numa disputa eleitoral, ‘coloca a faca nos dentes’ e não tem tempo ruim.
Essa trajetória exitosa, no entanto, parece estar chegando ao fim, pelo menos é o que apontam as pesquisas de opinião. O senador é rejeitado por uma parcela da população, que já o vê como um político tradicional, que não faria jus a tamanha representação. Petecão discorda e afirma que a sua atuação é em favor dos acreanos. “Eu faço do meu mandato um instrumento para melhorar a vida das pessoas”, assim resumiu ele.
No entanto, ele contabiliza 17 prefeitos como apoio certo para a sua reeleição. “Tenho trabalhado muito. Nunca disputei uma eleição com uma estrutura tão forte e estou otimista que vou vencer”, assim analisa ele, que não esconde a sua simpatia pela candidatura de Mailza Assis. Veja a entrevista:
NH – O senhor tem 32 anos de mandatos ininterruptos. Qual é o legado deixado por essa trajetória?
Petecão – Se tem alguém que não pode reclamar da política sou eu. Eu não venho de uma família tradicional na política. Eu nasci e me criei no Acre e diria que sou a zebra na política. Eu perdi o meu pai muito cedo e tive que trabalhar com a minha mãe para criar os meus irmãos. Eu sou muito grato ao povo do Acre. O maior feito nosso, nesses 32 anos de vida pública, é não responder a nenhum processo. Eu fui quatro vezes presidente da Aleac e o primeiro secretário da Senado. Eu fiz muitas amizades no meu estado, no Brasil e também no exterior.

NH – Como o senhor avalia a construção da estrada de ferro bioceânica? Esse projeto é mesmo uma realidade?
Petecão – Eu sou membro da comissão de portos e aeroportos. Eu já fui no Porto de Chancay, no Peru, que é um dos mais modernos do mundo. Eu conversei com a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e garanto que essa estrada de ferro é uma realidade. Ela será paralela à Estrada do Pacífico, que já é um corredor definido de exportação. Esse modal já existe e teríamos pouco ou nenhum impedimento ambiental. A ferrovia é importante? Claro que é. O que me preocupa é a ausência do governo brasileiro na alfândega em Assis Brasil, que praticamente não tem servidores. Isso é uma vergonha. Nós avançamos muito e estamos prestes a realizar um sonho.

NH – O senhor tem o apoio da maioria dos prefeitos e tem um partido estruturado. O que tem mais para se colocar com um dos nomes fortes à reeleição?
Petecão – Hoje eu tenho uma estrutura que nunca tive. Na minha primeira eleição para o Senado, enfrentando o poder, eu tirei quase 200 mil votos. Na reeleição, fui o político mais bem votado da história, inclusive contribuindo para eleger o segundo senador. O meu mandato tem ajudado muito os municípios, principalmente os isolados. Em Santa Rosa do Purus, estamos construindo uma pista de R$ 61 milhões. Também levamos um curso de agroecologia para o município. Também levamos um curso de Agronomia para os moradores de Plácido de Castro e Acrelândia. Numa articulação com a Conab, estamos garantindo a compra de produtos da agricultura familiar. Estou feliz e otimista, mesmo com o certo desgaste, que é natural para quem exerce mandato eletivo. Eu faço do meu mandato um instrumento para melhorar a vida das pessoas. Esse também é o meu legado.

NH – Com quem o senhor vai marchar nas próximas eleições?
Petecão – Eu nunca neguei a minha simpatia pela Mailza, embora essa decisão seja partidária e para o próximo ano. Com todo respeito aos outros partidos, o PSD é o partido mais estruturado do Estado. O nosso foco, neste momento, é montar uma chapa forte de candidatos a deputado estadual e federal.
NH – Como o senhor se define ideologicamente?
Petecão – Eu e PSD somos de centro. Eu fui vice-líder do presidente Bolsonaro, mas não sou apaixonado pelo bolsonarismo, tampouco pelo Lula. Sempre me posicionei e votei em favor dos interesses do Acre. O meu partido tem o candidato, que é o Ratinho Júnior, considerado um dos melhores governadores do Brasil. Eu sou partidário, sou fundador do partido e membro da direção nacional.
