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POLÍTICA

Fruticultores são recebidos por deputados e lamentam perda de produção por falta de compra governamental

Fruticultores são recebidos por deputados e lamentam perda de produção por falta de compra governamental

Em audiência com os deputados estaduais, a pedido do deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB), os produtores de frutas de Capixaba relataram o drama que vivenciam, com o excesso de produção e a falta da aquisição das polpas por parte do governo do Estado. As falas são semelhantes e convergem numa palavra: prejuízo.

A presidente da Copasfe, Nilva Cunha, disse que mais de 100 famílias que atuam na cadeia produtiva do maracujá e outras frutas, “estão passando necessidade”. “Eles dizem: eu estou sem a minha feira, sem pagar meus funcionários’. Essas famílias que trabalham para eles estão paradas. Temos mais de 100 famílias passando necessidade porque não estão entregando a produção deles, estão jogando fora. O pessoal, que vende o insumo para eles, não quer saber, quer saber de receber”, disse Cunha.

A produtora de acerola Fátima Nascimento, que que reside na região da BR-317, sentido Boca do Acre, defendeu que o governo do Estado compre, no mínimo, 30% da produção para atender a agricultura familiar.

“Se nós temos essa lei que nos ampara. Só 30% já nos ajuda muito. Estamos trabalhando para, uma boa parte, exportar. A Cooperacre é uma parceira. Eles estão fazendo de tudo para gente ficar lá, mas o governo não faz nada por nós. A gente paga as pessoas para trabalhar com a gente. Agora mesmo colocamos placa solar, como vamos pagar?”, questionou.

A produtora de maracujá Sandra, associada da Copasfe, disse que a produção vem aumentando ao longo dos últimos dois anos. Em 2023, a cooperativa comprou 224 mil quilos de maracujá. Já, em 2024, foram 600 mil quilos. Em 2025, de janeiro a 27 de fevereiro, foram comprados 209.520 mil quilos”, disse ao afirmar que teve uma perda de seis mil quilos de maracujá, que seriam para honrar com as agropecuárias, ou seja, os fornecedores de insumos.

“Quando a gente começou, éramos poucos produtores, mas hoje é um número bem relevante. Só associados na cooperativa, são 57 produtores. A gente tem em torno de 100 produtores esperando para que consiga se associar. O maracujá deles está começando a produzir agora. O prejuízo é grande. Estamos numa situação difícil, complicada. Não importa quem é o culpado, precisamos de uma solução”, disse a produtora Sandra.

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O vice-prefeito de Capixaba, Amilton Costa, também participou da audiência. Disse que hoje quem mais gera emprego no município é a agricultura familiar, impulsionada pela fruticultura. “São eles que aquecem a economia do município. Hoje, a zona urbana não emprega, não. Quem emprega são os nossos produtores. Tem produtor rural aqui que emprega 8, 10, 12, 13 funcionários”.

O gerente comercial da Cooperacre, Cássio Almada, afirmou que falta um olhar mais sensível dos secretários de Estado. Ele disse que a compra governamental é fundamental para a manutenção de milhares de famílias no campo.

“Olhamos para o governo como parceiro, mas o governo não está dando a importância que a Cooperacre tem dentro do estado do Acre hoje. Posso dizer para vocês que é a maior cooperativa agroextrativista do mundo. Não existe nenhuma outra cooperativa que faz o que nós fazemos”, disse.

Ao abrir as falas para os deputados, o deputado Tadeu Hassem (Republicanos) propôs uma reunião mais ampliada com a participação das secretarias de Educação, de Indústria, Agricultura e de Fazenda “para discutir e ajustar”. “Não podemos ficar mais nas conversas. Vamos partir para a prática”.

Já o deputado Gilberto Lira (UB) ressaltou que vai conversar com o secretário de Estado de Educação, Aberson Carvalho. Ele, que é presidente da Comissão de Educação da Aleac, disse que se entristece muito ao ver o “suor” dos produtores sendo derramado em vão. “Tivemos vários embates aqui com vários segmentos, mas confesso a vocês que esse aqui foi o que mais me chamou atenção. A gente luta para que as pessoas tenham o seu trabalho, seu sustento nas suas propriedades, derramando seu suor, estragando, por falta de compra porque estão trazendo de fora, não podemos permitir”.

Ao final, o deputado Edvaldo Magalhães sugeriu, juntamente com os demais deputados, uma reunião com os secretários Aberson Carvalho (Educação), Assur Mesquita (Indústria), Luís Tchê (Agricultura) e José Amarísio (Sefaz) para discutir o assunto. O encontro deve acontecer na Assembleia, na sala da presidência. “O que nós escutamos é mais do que suficiente para tratar o assunto. Fazer aquele esforço da mediação, é o que todo mundo quer”, completou.