“É preciso transformar os recursos naturais em recursos reais”
Pode-se apontar alguns defeitos do senador Márcio Bittar. Porém, jamais dirão que ele não tem lado político. Mesmo tendo origens na esquerda (foi do PCB e PPS), é um dos maiores expoentes da direita no Brasil. O auge desse reconhecimento e prestígio foi no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, período em que foi relator do orçamento da União.
Márcio Bittar suscitou e aguçou o debate entre a esquerda e a direita, destacadamente quando o assunto é desenvolvimento. A seu ver, a esquerda, que estaria a serviço de interesses econômicos internacionais, cuja narrativa é a defesa do meio ambiente e do estado de bem-estar social, impede qual possibilidade deste País, rico e estratégico, de ter um projeto de nação.
O senador critica a não exploração de nossos recursos naturais, em particular na Amazônia. “Temos cerca de 14% do nosso território formando reservas indígenas. Sabe o que acontece com uma grande parte dessas populações? Elas passam fome”, disse ele, que integrou a CPI mista da ONGs, fórum que denunciou o “conluio” entre essas entidades, a esquerda e países como Noruega e Alemanha.
Bittar questiona a interferência humana nas mudanças climáticas. Ele afirmou que estudos mostram que o homem não tem a capacidade de mudar o clima do planeta. De acordo com Márcio Bittar, a crença de que as ações do homem provocam o aquecimento global não foi comprovada cientificamente e tem um viés ideológico.
A ocupação do senador com esses temas e o volume de emendas parlamentares, segundo ele, o credenciam para disputar a reeleição. Já escolheu o seu candidato ao Palácio Rio Branco (Mailza Assis), mas é questionado por sua aproximação com o prefeito Tião Bocalom, que também é pré-candidato e integra outra força política. “Podem me acusar de algumas coisas, mas jamais dirão que não tenho lado ou faço joguinhos de conveniência”, rebateu.
Em um estúdio, onde aguardava ser entrevistado num podcast, ele falou para o Notícias da Hora. Vejam a entrevista:
NH – Quais razões lhe credenciam para ser candidato à reeleição?
Bittar - Eu me pauto por questões: Quem tem mandato tem que trazer resultados para o seu estado, principalmente quando é de senador da República. E ter postura, ter lado político bem definido. Tive oportunidade de ser governo com o presidente Jair Bolsonaro, aproveitando aquele momento para ajudar o Acre. O mandato já trouxe mais de 1 R$ bilhão em recursos nesses quase sete anos de mandato. A maioria foi para obras estruturantes que já foram inauguradas, outras estão em andamento e outras que irão começar. Eu sou muito grato ao presidente Bolsonaro.

NH – O senhor pode citar algumas dessas obras?
Bittar – Aqui em Rio Branco, em parceria com o prefeito, o viaduto da AABB, que, junto com o viaduto Bete Bocalom, vai melhorar o fluxo do trânsito. O viaduto da Corrente, que a Sula (diretora-geral do Deracre) já licitou. O novo Mercado Elias Mansour, que é uma obra ampla, moderna, arejada e com espaço para garagem. O local vai virar um cartão postal. Também já coloquei a metade do recurso para o viaduto do Horto Florestal. Como o governador Gladson, a nossa parceria inclui a duplicação da estrada que dá acesso ao aeroporto de Cruzeiro do Sul, indo até a rotatória de Mancio Lima e Rodrigues Alves. Só para o Deracre, formam R$ 450 milhões. Tem ainda a ponte Sena Madureira e a de Xapuri, uma obra desejada há mais de meio século. Tem ainda a Estrada Velha (Xapuri) e a Orla do Rio Acre em Brasiléia. A recém-inaugurada Estrada 445, que liga os municípios de Porto Acre e Bujari. Em Epitaciolândia, eu vou alocar 37 milhões para fazer a segunda ponte. E em Marechal Thaumaturgo, uma das obras mais necessárias que eu vi no interior, a passarela sobre o Rio Amônia.
NH – Como o senhor avalia os governos federal, estadual e municipal?
Bittar – O federal é um desastre. Ele está levando o País para uma crise gravíssima, sobretudo na área fiscal. O governo é perdulário, ou seja, gasta demais e gasta mal. Isso também gera instabilidade: na primeira viagem comercial do Lula, ele levou na sua comitiva o João Pedro Stédile, o líder do MST, que invade propriedades. O Lula também defende o fim do marco temporal, o que garante a criação de mais terras indígenas no Brasil. Essa área já 14% do nosso território. É governo vendido para algumas potências estrangeiras, a troco de dinheiro para ONGs, cujos integrantes são de esquerda. Marina e Lula são vassalos de interesses externos. Sobre o governo Gladson, eu poderia dizer várias coisas, mas vou destacar uma: É um homem de coração enorme. Eu tenho alguns defeitos, mas tenho gratidão. Em 2018 tentaram me tirar da chapa, mas o Gladson não deixou e ainda gravou um vídeo me defendendo. O Bocalom é meu brother e sempre estivemos do mesmo lado. É um homem honesto, cristão e trabalhador. Rio Branco está saneada financeiramente e, por onde se anda tem investimentos, principalmente com recursos próprios.

NH – O que o Acre precisa fazer para se desenvolver?
Bittar – Essa tua pergunta é interessante e espero que as pessoas reflitam sobre o que vou dizer. Eu vejo muitas notícias, inclusive de veículos de comunicação daqui, elogiando a Marina e a COP. Ou a gente extrai os nossos recursos naturais, ou não sairemos da miséria. Deus já fez a parte Dele nos presenteando com tamanha riqueza. É preciso transformar os recursos naturais em recursos reais. O grande desafio do Acre é se livrar dessas ONGs, que estão a serviços de oligarquias internacionais, aliançados com a esquerda brasileira. A Marina e o Lula são os grandes expoentes desse conluio. Eu respeito a Marina como mulher e também a história dela. Mas ela é a principal responsável pela situação de pobreza do Acre, bem como de toda a Amazônia, que foi segregada. Aponte-me o que o Acre ganhou como a fama e popularidade da Marina? O que ganhamos foi o aumento da pobreza e consequentemente da violência.
NH – Comente sobre a crise institucional
Bittar – É grave e o maior exemplo disso são as prisões e as suspensões de direitos políticos. O ex-presidente Jair Bolsonaro não era para estar preso, mesmo porque não houve tentativa de golpe. Com o advento do regime militar em 1964, a esquerda roubou, matou e sequestrou, mas todos foram anistiados. Esses beneficiados, Dilma, Lula, Zé Dirceu, FHC, por exemplo, são agora contra a anistia de homens e mulheres desarmados, que só protestavam. O Brasil está de cabeça para baixo, infelizmente. O Bolsonaro é o único presidente civil que, no seu governo, não aconteceu uma única denúncia de corrupção.
