Dados do Censo Demográfico revelam que o Acre enfrenta um expressivo movimento migratório negativo. Ao todo, 33.970 pessoas nascidas no estado passaram a residir em outras unidades da federação, enquanto apenas 10.226 migrantes de outros Estados se estabeleceram em território acreano no mesmo período. O resultado é um saldo migratório negativo de 23.744 pessoas.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Acre (IBGE/AC), o número representa os moradores que deixaram o estado nos últimos cinco anos em busca de oportunidades fora da terra natal. Os destinos mais procurados pelos acreanos foram Mato Grosso, Santa Catarina e Paraná, indicando uma mudança no padrão histórico de migração, já que São Paulo figurava como principal destino entre os censos de 1991 a 2010.
Apesar da saída de parte da população, o Acre segue apresentando crescimento vegetativo. O levantamento aponta que, entre 2010 e 2022, nasceram 98.476 acreanos. No último censo, o estado contabilizava 755.322 pessoas naturais de seus municípios, número superior ao registrado em 2010, o que demonstra que a taxa de natalidade ainda exerce forte influência na composição populacional.
Mesmo com o saldo negativo, o estado também recebeu migrantes atraídos por concursos públicos, pela expansão da fronteira agrícola ao longo da Estrada do Pacífico e pelo interesse cultural em comunidades tradicionais, povos originários e grupos religiosos, como os daimistas.
A taxa líquida de migração do Acre ficou em -2,86%, reforçando o impacto do deslocamento populacional. Paralelamente, o estado se destaca nacionalmente pelos indicadores de fecundidade. Em 2023, a média foi de 1,91 filho por mulher, a terceira maior do país, atrás apenas de Roraima (2,19) e Amazonas (2,08), segundo o IBGE.
