Rio Branco, AC, 12 de agosto de 2026 10:46
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Rio Branco aparece na rota de esquema milionário de anabolizantes clandestinos alvo de operação policial

Capital acreana teria sido utilizada como ponto de escoamento dos produtos ilegais; operação cumpre 45 mandados de prisão e Justiça determinou bloqueio superior a R$ 32 milhões

Rio Branco, capital do Acre, aparece entre as cidades utilizadas para o escoamento de anabolizantes produzidos e comercializados clandestinamente por uma organização criminosa investigada pela Polícia Civil. A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (12) e alcança diferentes estados do país.

Ao todo, são cumpridos 45 mandados de prisão, além de medidas de busca e apreensão contra 50 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas. Por determinação da Justiça, também foi autorizado o bloqueio de mais de R$ 32 milhões vinculados aos investigados e o sequestro de 11 veículos de luxo.

Acre aparece na rota de distribuição

Um dos pontos que chama atenção na investigação é a presença de Rio Branco no mapa de distribuição dos produtos clandestinos. Conforme as informações divulgadas sobre a operação, a capital acreana, juntamente com Uberlândia, em Minas Gerais, era utilizada para o escoamento dos produtos.

A investigação aponta uma estrutura que atravessava diferentes estados. No Distrito Federal estariam bases de fabricação e armazenamento, além de academias e uma gráfica relacionada ao esquema. Em Goiás, no Entorno do DF, ficavam depósitos de insumos e uma farmácia de manipulação apontada como participante da operação ilegal.

Em João Pessoa, na Paraíba, os investigadores localizaram um laboratório que funcionaria dentro de uma mansão alugada. Já em Foz do Iguaçu, no Paraná, estaria uma responsável pelo fornecimento das substâncias utilizadas pelo grupo.

Produção ocorria sem controle sanitário

Segundo a Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes, os investigados fabricavam substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes em residências e instalações improvisadas.

A produção ocorreria sem garantias adequadas de esterilidade, pureza ou segurança sanitária. Para transmitir uma falsa aparência de procedência, embalagens e rótulos simulavam produtos importados de laboratórios inexistentes ou reproduziam marcas já conhecidas no mercado.

A apuração também identificou a suposta participação de profissionais de diferentes áreas. Designers, nutricionistas e treinadores teriam contribuído com a estrutura, inclusive mediante recomendação dos produtos. Veterinários são investigados pela emissão de receitas falsas destinadas à aquisição de medicamentos controlados em estabelecimentos agropecuários.

Uma gráfica teria sido utilizada para confeccionar embalagens e rótulos. Segundo a investigação, arquivos relacionados às impressões eram posteriormente apagados como forma de dificultar a identificação da origem do material.

Dinheiro teria passado por laranjas e plataformas de apostas

Outra frente da investigação envolve a movimentação financeira. O grupo teria utilizado doleiros, contas bancárias vinculadas a terceiros e empresas de fachada para fragmentar e ocultar recursos.

Os investigadores também identificaram movimentações envolvendo plataformas de apostas e jogos de quota fixa, mecanismo que teria sido empregado para converter e transferir valores, dificultando o rastreamento financeiro.

Além das prisões, buscas e bloqueios patrimoniais, a Justiça determinou a suspensão das atividades e o lacre de 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios relacionados à investigação.

Também foram autorizadas quebras de sigilo bancário e telemático e determinada a retirada ou bloqueio de 22 perfis em redes sociais que, segundo a investigação, eram utilizados para divulgar os produtos e captar clientes.

A presença de Rio Branco entre os pontos de escoamento coloca o Acre dentro da rota investigada. As informações divulgadas até o momento, porém, não detalham quantos alvos da operação estão no estado nem qual seria o volume de produtos distribuídos ou comercializados em território acreano.