Rio Branco, AC, 20 de agosto de 2026 15:26
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Dois votos para o Senado: 314 candidatos disputam 54 vagas nas eleições de 2026

A eleição para o Senado Federal terá um peso maior nas urnas em 2026. Diferentemente de pleitos em que apenas uma cadeira é colocada em disputa por estado, desta vez os eleitores terão de escolher dois nomes para representar cada unidade da Federação no Senado.

A mudança ocorre porque a eleição deste ano renovará dois terços das 81 cadeiras da Casa. Com isso, serão preenchidas 54 vagas, sendo duas para cada estado e também para o Distrito Federal.

O cenário reúne 314 candidaturas registradas, o que representa uma média nacional de aproximadamente seis candidatos para cada vaga. Apesar da quantidade de concorrentes, o levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que o perfil de quem busca uma cadeira no Senado ainda é bastante concentrado em determinados grupos.

Os dados mostram predominância de homens, pessoas que se declaram brancas, candidatos com idade mais elevada, casados e com diploma de ensino superior.

Homens representam quase oito em cada dez candidaturas

A desigualdade entre homens e mulheres permanece evidente na corrida pelo Senado. Dos 314 candidatos registrados, 245 são homens, correspondendo a 78% das candidaturas. As mulheres somam 69 nomes, ou 22% do total.

Embora a participação feminina ainda esteja distante de uma divisão equilibrada, houve crescimento em relação à eleição de 2018. Naquele ano, as mulheres representavam 17,3% dos candidatos ao Senado.

Em comparação com 2022, porém, a proporção praticamente não mudou. Naquele pleito, as mulheres correspondiam a cerca de 22,5% dos concorrentes.

Maioria se declara branca

O levantamento do TSE também mostra uma predominância de candidatos que se autodeclaram brancos. São 191 candidaturas, equivalentes a 60,8% do total. Os pardos aparecem em seguida, com 89 candidatos, enquanto 28 se declararam pretos. A lista ainda reúne quatro candidatos indígenas e dois amarelos.

Considerando conjuntamente pretos e pardos, são 117 candidatos, ou 37,3% da disputa. O percentual é superior ao registrado em 2018, quando essas duas categorias representavam 33,5% das candidaturas. No sentido contrário, a participação de candidatos brancos caiu no mesmo intervalo, passando de 65,6% em 2018 para 60,8% em 2026.

Disputa é marcada por candidatos mais velhos

A idade dos concorrentes é outro elemento que chama atenção. Mais de seis em cada dez candidatos ao Senado têm 50 anos ou mais. Ao todo, são 205 nomes nessa faixa etária, o equivalente a 65,3% das candidaturas.

A distribuição por idade mostra ainda 85 candidatos entre 50 e 59 anos e outros 84 na faixa de 60 a 69 anos. Há também 33 candidatos com idade entre 70 e 79 anos e três com 80 anos ou mais. Entre os mais jovens, 23 estão na faixa de 35 a 39 anos. Outros 86 candidatos têm entre 40 e 49 anos.

Os números refletem uma característica histórica do Senado, que tradicionalmente concentra representantes com trajetórias políticas e profissionais mais longas.

Formação superior predomina

O grau de escolaridade dos candidatos também apresenta uma forte concentração. 248 concorrentes, ou 79% do total, declararam ter concluído o ensino superior. Outros 21 possuem formação superior incompleta.

O ensino médio completo aparece como principal nível de escolaridade entre os candidatos que não chegaram à universidade, com 36 registros.

Também há cinco candidatos com ensino médio incompleto, dois com ensino fundamental completo, um com ensino fundamental incompleto e um que declarou saber ler e escrever.

A proporção de candidatos com graduação é próxima da registrada na eleição de 2022, quando aproximadamente 80,4% dos concorrentes ao Senado tinham ensino superior completo.

Casamento aparece como estado civil predominante

Entre os candidatos, 194 são casados, o equivalente a 61,8%. Os solteiros representam 72 candidaturas, enquanto 41 candidatos declararam ser divorciados. Também estão na disputa quatro viúvos e três pessoas separadas judicialmente.

O levantamento permite traçar, portanto, um perfil predominante do candidato ao Senado em 2026: homem, branco, com pelo menos 50 anos, casado e com ensino superior completo.

Advocacia lidera entre as profissões

No campo profissional, a advocacia aparece na primeira posição entre as ocupações declaradas. São 36 candidatos que informaram ser advogados, representando 11,5% da lista.

Na sequência estão deputados, com 29 candidatos; empresários, com 27; senadores, com 20; médicos, com 16; e engenheiros, com 15.

O número de parlamentares em exercício também é significativo. 32 senadores que atualmente ocupam cadeiras no Congresso estão novamente na disputa.

Parte desses parlamentares, porém, optou por registrar outra atividade profissional como ocupação no cadastro eleitoral. Entre as profissões declaradas aparecem advogado, empresário, jornalista, administrador, agricultor e professor.

A disputa ao Senado reúne candidatos de 29 partidos.

O Partido Liberal (PL) aparece na liderança em número de candidaturas, com 33 nomes registrados. A legenda também apresenta uma das maiores abrangências territoriais, com candidatos em 25 das 27 unidades da Federação.

Na sequência aparecem Unidade Popular, com 23 candidatos; PSOL, com 21; MDB e PT, com 19 cada; Democracia Cristã, com 18; PSTU, com 17; e PSD, com 15. Novo e PCO registraram 14 candidatos cada. Republicanos aparece com 12, enquanto Democrata tem 11.

União, Progressistas e PSB possuem dez candidatos cada. PSDB, Avante e PDT aparecem com oito nomes cada. Podemos e Agir registraram sete candidaturas. Rede Sustentabilidade e Mobiliza têm seis cada, enquanto Missão aparece com cinco.

PRD e Cidadania registraram três candidatos cada. PCB, PRTB e PV aparecem com dois nomes cada, e o Solidariedade tem uma candidatura. O PCdoB não lançou candidato próprio ao Senado e integra a Federação Brasil da Esperança, formada também por PT e PV.

Piauí tem a disputa mais concorrida

O Piauí apresenta a maior concorrência proporcional, com 20 candidatos para duas cadeiras. Isso significa que dez nomes disputam, em média, cada vaga.

Minas Gerais aparece na sequência, com 17 candidatos para duas cadeiras, enquanto o Rio de Janeiro tem 16 concorrentes e São Paulo, 15.

Na outra ponta está Alagoas, que registrou sete candidatos para as duas vagas disponíveis, resultando em uma média de 3,5 concorrentes por cadeira.

Quando os dados são agrupados por região, o Sudeste apresenta a maior média proporcional. São 59 candidatos para oito vagas, ou 7,4 concorrentes por cadeira.

O Nordeste reúne 103 candidaturas para 18 vagas. No Norte, são 73 candidatos para 14 cadeiras. O Centro-Oeste tem 44 concorrentes para oito vagas, enquanto o Sul registra 35 candidatos para seis cadeiras.