A Polícia Civil do Acre (PCAC) deflagrou, nesta segunda-feira (31), a Operação Conto do Vigário, destinada a investigar um suposto esquema criminoso que teria possibilitado a fuga de um preso apontado como integrante de uma organização criminosa. A investigação envolve suspeitas de facilitação de fuga, corrupção ativa, corrupção passiva e integração de organização criminosa.
Segundo informações apuradas pela reportagem, os três presos na operação são os advogados Patrick Leite de Carvalho e João Victor, além do policial penal Willimberg.
Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil confirmou oficialmente apenas que entre os presos está um policial penal. Ao ser questionada sobre as profissões dos outros dois investigados, a instituição preferiu não revelar a informação, alegando que o processo está sob sigilo e que as investigações continuam.
A ação foi realizada conjuntamente pela Delegacia de Combate à Corrupção (Decor) e pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Conforme a nota oficial divulgada pela PCAC, foram cumpridos três mandados de prisão e quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
As prisões são preventivas.
Policial penal teria facilitado fuga
A investigação começou após a fuga de Zé Mauro, apontado pelas autoridades policiais como integrante do Comando Vermelho. O episódio ocorreu no dia 16 de agosto de 2026, durante uma suposta escolta para atendimento médico.
Segundo informações apresentadas na coletiva, durante o deslocamento, Zé Mauro teria alegado estar passando mal. A viatura parou nas proximidades do Estádio Florestão, em Rio Branco, ocasião em que o preso conseguiu fugir.
A Polícia Civil afirmou que, de acordo com o que foi apurado até agora, o policial penal preso na operação teria participação direta na facilitação da fuga.
“O policial penal é o que nós apuramos, até o presente momento, que foi aquele que facilitou a fuga do preso”, afirmou um dos delegados.
O servidor já havia sido afastado administrativamente pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) pelo período de 60 dias.
O Iapen também colaborou com as investigações por meio de seu setor de inteligência, compartilhando informações com a Polícia Civil.
Polícia aponta apoio externo e possível envolvimento de dinheiro
Outro ponto revelado durante a coletiva é que Zé Mauro teria contado com apoio externo depois de conseguir escapar da custódia.
Questionado se dinheiro teria sido utilizado para facilitar a fuga, um dos delegados respondeu: “Provavelmente, sim.”
A Polícia Civil não informou eventual valor nem detalhou de que maneira teria ocorrido a possível movimentação financeira.
De acordo com a nota oficial da PCAC, as investigações apuram possíveis crimes de facilitação de fuga de preso, corrupção ativa, corrupção passiva e integração de organização criminosa.
Participação individual permanece sob sigilo
Embora a reportagem tenha obtido a identificação dos três presos, a Polícia Civil não detalhou publicamente qual seria a participação individual dos dois advogados no suposto esquema.
Durante a coletiva, os delegados foram questionados especificamente sobre a eventual participação de advogados e sobre possível atuação na defesa de Zé Mauro, mas evitaram responder.
“Infelizmente, a gente não pode ainda tecer detalhes dessa investigação, até porque o processo está em sigilo”, declarou um dos delegados.
Dessa forma, apesar das prisões preventivas, não há, até o momento, detalhamento público apresentado pela Polícia Civil sobre a conduta específica atribuída a cada um dos advogados.
Zé Mauro já era investigado por outros crimes
Segundo a Polícia Civil, Zé Mauro possui condenações por diversos crimes, inclusive violentos, além de outras investigações em andamento.
Ele também era investigado por ocorrências nas regiões do Calafate e Ilson Ribeiro, relacionadas à expulsão de moradores de suas residências. Os casos vinham sendo apurados na região da Quarta Regional e pela Delegacia do Tucumã.
A Polícia Civil informou ainda que o foragido já havia sido preso em flagrante, em 2022, com arma de fogo e drogas.
“Não é qualquer fuga. É uma fuga que mereceu uma atenção pontual”, destacou um dos representantes da Polícia Civil.
Polícia não descarta novas prisões
A Operação Conto do Vigário busca agora esclarecer a participação de cada investigado, identificar a extensão do suposto esquema e verificar se outras pessoas participaram da fuga.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de novas prisões, um dos delegados confirmou que a operação representa apenas o início das diligências.
“Com certeza. É apenas a primeira fase da investigação.”
A Operação Conto do Vigário integra ainda as ações da Rede Nacional de Enfrentamento ao Crime Organizado (RENORCRIM), coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Zé Mauro permanece foragido, e a Polícia Civil solicita que informações sobre seu paradeiro sejam encaminhadas pelos canais oficiais de denúncia.
O espaço permanece aberto para manifestação das defesas dos investigados citados na reportagem.



