Rio Branco, AC, 31 de agosto de 2026 17:19
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Foragido Zé Mauro Paraíba é capturado em banheiro na Estrada do Quixadá horas após operação prender suspeitos de facilitar fuga

Apontado pela Polícia Civil como integrante do Comando Vermelho, Zé Mauro estava foragido desde 16 de agosto. Operação Conto do Vigário prendeu preventivamente um policial penal e outros dois investigados por suspeita de participação no esquema que teria possibilitado a fuga.

O foragido conhecido como Zé Mauro Paraíba foi capturado nesta segunda-feira (31) por volta das 14:00 horas , durante uma ação da Polícia Civil do Acre (PCAC) na região da Estrada do Quixadá, em Rio Branco . Ele foi localizado escondido dentro do banheiro de um imóvel. O filho dele, identificado como José Francisco, também foi preso durante a ação, apontado como responsável por prestar apoio ao pai enquanto permanecia foragido.

A captura ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou a Operação Conto do Vigário, investigação destinada a esclarecer um suposto esquema criminoso que teria possibilitado a fuga de Zé Mauro da custódia do Estado no último dia 16 de agosto.

A ação que resultou na localização do foragido mobilizou equipes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e Departamento de Polícia da Capital e do Interior (DPCI).

Segundo informações repassadas à reportagem, após diligências realizadas pelas equipes policiais, Zé Mauro foi encontrado dentro do banheiro do imóvel onde estaria escondido na região da Estrada do Quixadá.

No local, os policiais também prenderam José Francisco. As circunstâncias do apoio supostamente prestado pelo filho ao pai deverão ser apuradas pela Polícia Civil.

Fuga ocorreu durante suposta escolta médica

Zé Mauro estava foragido desde o dia 16 de agosto de 2026, quando conseguiu escapar durante uma suposta escolta para atendimento médico.

Segundo informações apresentadas pela Polícia Civil durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, durante o deslocamento Zé Mauro teria alegado que estava passando mal. A viatura teria parado nas proximidades do Estádio Florestão, em Rio Branco, momento em que o preso conseguiu fugir.

A forma como a fuga ocorreu levantou suspeitas e deu origem à investigação que culminou na Operação Conto do Vigário.

De acordo com a Polícia Civil, Zé Mauro é apontado pelas autoridades como integrante do Comando Vermelho.

Operação prendeu três suspeitos de envolvimento na fuga

Horas antes da captura de Zé Mauro, a Polícia Civil havia deflagrado a Operação Conto do Vigário, conduzida conjuntamente pela Delegacia de Combate à Corrupção (Decor) e pela Draco.

Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados.

Segundo informações apuradas pela reportagem, os três presos na operação são os advogados Patrick Leite de Carvalho e João Victor, além do policial penal Willimberg.

Durante a coletiva, porém, a Polícia Civil confirmou oficialmente apenas que um dos presos é policial penal. Questionados sobre as profissões e a participação dos outros dois investigados, os delegados afirmaram que não poderiam fornecer detalhes em razão do sigilo da investigação.

As apurações envolvem suspeitas dos crimes de facilitação de fuga de preso, corrupção ativa, corrupção passiva e integração de organização criminosa.

Policial penal teria facilitado fuga, diz Polícia Civil

Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento apontam que o policial penal preso preventivamente teria participado diretamente da facilitação da fuga.

“O policial penal é o que nós apuramos, até o presente momento, que foi aquele que facilitou a fuga do preso”, afirmou um dos delegados durante a coletiva.

O servidor já havia sido afastado administrativamente pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) pelo período de 60 dias.

O Iapen também colaborou com as investigações por meio de seu setor de inteligência, compartilhando informações com a Polícia Civil.

Investigação apura apoio externo e possível envolvimento de dinheiro

Outro ponto apresentado pelos investigadores é que Zé Mauro teria recebido apoio externo após deixar a custódia.

Durante a coletiva, um dos delegados foi questionado se teria ocorrido pagamento de dinheiro para viabilizar a fuga. A resposta foi: “Provavelmente, sim.”

A Polícia Civil, entretanto, não informou valores nem detalhou como a eventual movimentação financeira teria ocorrido.

Com a prisão de José Francisco durante a captura do pai nesta segunda-feira, a Polícia Civil também deverá aprofundar a apuração sobre a rede de pessoas que teria auxiliado Zé Mauro durante os aproximadamente 15 dias em que permaneceu foragido.

Participação dos demais presos permanece sob sigilo

Apesar da identificação obtida pela reportagem dos três presos preventivamente na Operação Conto do Vigário, a Polícia Civil ainda não tornou pública a conduta específica que atribui individualmente aos dois advogados.

Durante a coletiva, os delegados foram questionados sobre a eventual participação de advogados no suposto esquema e se algum deles teria relação com a defesa de Zé Mauro, mas afirmaram que não poderiam avançar nos detalhes.

“Infelizmente, a gente não pode ainda tecer detalhes dessa investigação, até porque o processo está em sigilo”, declarou um dos delegados.

Assim, as prisões preventivas foram cumpridas, mas as acusações específicas contra cada investigado ainda não foram detalhadas publicamente pela Polícia Civil. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Zé Mauro possui condenações e era alvo de outras investigações

A mobilização policial para encontrar Zé Mauro também ocorreu em razão de seu histórico criminal.

Segundo a Polícia Civil, ele possui condenações por diversos crimes, inclusive violentos, além de ser alvo de outras investigações em andamento.

Zé Mauro também vinha sendo investigado por ocorrências registradas nas regiões do Calafate e Ilson Ribeiro, relacionadas à suposta expulsão de moradores de suas próprias residências.

Os casos estavam sendo apurados por unidades policiais da região da Quarta Regional e pela Delegacia do Tucumã.

A Polícia Civil informou ainda que Zé Mauro já havia sido preso em flagrante, em 2022, com arma de fogo e drogas.

Ao comentar a mobilização para recapturá-lo, um representante da instituição destacou a atenção dada ao caso.

“Não é qualquer fuga. É uma fuga que mereceu uma atenção pontual.”

Captura não encerra investigação

Embora a prisão de Zé Mauro represente o fim das buscas pelo foragido, a investigação sobre as circunstâncias de sua fuga continua.

A Polícia Civil busca identificar a participação individual de cada investigado, esclarecer como o suposto esquema teria sido organizado, verificar eventual pagamento para facilitar a fuga e descobrir se outras pessoas deram suporte ao preso antes ou depois de escapar da custódia.

Questionado durante a coletiva sobre a possibilidade de novas prisões no decorrer das investigações, um dos delegados afirmou:

“Com certeza. É apenas a primeira fase da investigação.”

A Operação Conto do Vigário integra as ações da Rede Nacional de Enfrentamento ao Crime Organizado (RENORCRIM), coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Após a captura, Zé Mauro foi conduzido para os procedimentos legais e deverá permanecer à disposição da Justiça. José Francisco também foi encaminhado às autoridades para os procedimentos cabíveis.

O espaço permanece aberto para manifestação das defesas de todos os investigados citados nesta reportagem.