A narrativa de que a Delegacia de Combate à Corrupção (DECOR) teria sido desmontada no Acre, durante um debate na TV Rio Branco, continua gerando desdobramentos no meio político.
O delegado-geral Pedro Paulo Buzolin negou nesta segunda-feira, 31, que a unidade tenha sido desativada, desarticulada ou paralisada. E foi além: afirmou que a DECOR participou, no mesmo dia, de uma operação de combate à corrupção.
A afirmativa ocorre depois que o tema passou a ser explorado politicamente pelo senador e candidato ao Governo do Acre, Alan Rick (Republicanos), que tem utilizado a situação da delegacia para atacar a condução do combate à corrupção no Estado.
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“Nunca parou”
Buzolin não deixou margem para interpretação sobre a situação operacional da unidade. “A delegacia nunca foi desarticulada, desativada ou teve o seu trabalho interrompido.”
Segundo o delegado-geral, a DECOR sempre manteve servidores lotados e continuou realizando investigações desde sua criação.
A versão apresentada pelo comando da Polícia Civil é que o que ocorreu foi uma mudança de titularidade — e não o fechamento ou esvaziamento da delegacia.
Buzolin confirmou que promoveu mudanças na estrutura da DECOR. Disse que a governadora Mailza Assis lhe deu autonomia para montar sua equipe e alterar titulares de unidades consideradas estratégicas.
“Eu troquei a titularidade da unidade, como eu fiz também em outras unidades da Polícia Civil”, afirmou.
Na prática, a mesma mudança administrativa passou a ser interpretada de maneiras completamente diferentes no debate eleitoral.
Para a oposição, o episódio virou argumento para questionar a atuação da Polícia Civil. Para o delegado-geral, trata-se de uma decisão administrativa dentro de uma instituição que, segundo ele, continuou trabalhando normalmente.
Se a disputa era sobre a DECOR estar ou não funcionando, Buzolin apresentou um fato ocorrido nesta segunda-feira como resposta.
A delegacia participou de uma operação de combate à corrupção deflagrada pela Polícia Civil. “Hoje nós deflagramos uma operação que trata de combate à corrupção, com a participação da Delegacia de Combate à Corrupção”, disse o chefe de polícia.
A DECOR é atualmente comandada pelo delegado Gustavo Neves, integrante da turma de 2020. Segundo Buzolin, a escolha foi baseada no perfil profissional e no desempenho apresentado pelo delegado.
“É uma pessoa extremamente responsável […] É um delegado que já demonstrou uma eficiência muito grande”, afirmou.
A diferença entre as versões é objetiva: a campanha fala em enfraquecimento; o delegado-geral afirma que a unidade nunca parou e aponta uma operação realizada nesta segunda-feira como evidência de sua atuação.





