Rio Branco, AC, 3 de setembro de 2026 11:54
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Rio Acre registra nível crítico, calor supera 40°C e Defesa Civil prevê cenário ainda pior em todo Estado

O início de setembro trouxe um cenário de atenção redobrada para Rio Branco: calor intenso, tempo seco e o Rio Acre em níveis cada vez mais baixos. A combinação preocupa a Defesa Civil Municipal, que acompanha diariamente a evolução da estiagem e admite a possibilidade de o manancial atingir uma das menores cotas já registradas na capital.

Na manhã de quinta-feira, 2, o Rio Acre registrou 1,69 metro, segundo a medição realizada pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil às 5h15. Não houve registro de chuva nas 24 horas anteriores. A marca representa o menor nível alcançado pelo rio em 2026.

O número ganha ainda mais peso porque setembro costuma concentrar alguns dos níveis mais baixos do Rio Acre. Para o comandante e coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, o período mais crítico da estiagem ainda está começando.

“Cada dia estamos atingindo as menores cotas. A tendência é que o rio continue decrescendo e, lá pela metade do mês de setembro, possa ficar abaixo de 1,20 metro”, alertou Falcão.

A previsão acende um sinal de alerta não apenas para o meio ambiente, mas também para o abastecimento da população. Com o rio cada vez mais raso, a captação convencional de água fica comprometida, obrigando a adoção de medidas emergenciais para manter o fornecimento em Rio Branco.

“Com 1,74 metro não há lâmina d’água suficiente para captar água. Acompanhamos isso constantemente e o Saerb já deve atuar com intervenções, cavando poços no leito do rio para dar profundidade às bombas e construindo barragens com sacos de areia para elevar a água no local de captação”, explicou Falcão.

O comportamento do Rio Acre está diretamente relacionado ao baixo volume de precipitações registrado nos últimos meses. Segundo Falcão, agosto terminou com apenas seis dias de chuva, insuficientes para alterar de forma significativa o cenário de seca.

O comandante explica que algumas oscilações registradas no nível do manancial não significam uma recuperação das condições hídricas da capital. Parte dessas elevações ocorre em razão das chuvas registradas em outros municípios da bacia, cujas águas chegam posteriormente a Rio Branco.

“Estamos com um nível bastante baixo. Tivemos oscilações, o rio ficou abaixo de dois metros, aumentou um pouco, mas é importante ressaltar que essas oscilações não são resultado de chuvas ocorridas em Rio Branco. Elas vêm de outros municípios e acabam chegando até nós”, afirmou.

A perspectiva para setembro é ainda mais preocupante. Falcão avalia que o Rio Acre pode perder aproximadamente mais meio metro ao longo do mês, chegando a 1,28 metro. “Nos meses de setembro temos os índices mais baixos do Rio Acre. Estamos apenas iniciando o mês, já temos 1,78 metro e podemos ter um decréscimo ainda de uns 50 centímetros, podendo alcançar 1,28 metro facilmente, o que já seria praticamente um recorde para nós”, enfatizou.

O menor nível registrado na capital nos últimos anos foi de 1,23 metro, em setembro de 2024. Por isso, a possibilidade de uma nova marca negativa passou a integrar o radar da Defesa Civil.

“O atual cenário é bem complicado. Apesar de já termos anos em que, nesta mesma data, o nível do rio estava mais baixo, a preocupação é que a tendência é de que o início do período chuvoso seja mais tardio. Isso faz com que, infelizmente, tenhamos uma clara possibilidade de um recorde negativo”, disse Falcão.

Enquanto o Rio Acre perde volume, os impactos da seca já são sentidos de maneira direta na zona rural de Rio Branco. Comunidades que dependem de poços, açudes e outras fontes naturais enfrentam dificuldades para garantir água suficiente para o consumo diário.

A Defesa Civil mantém uma operação emergencial de abastecimento que atualmente atende 42 comunidades rurais, alcançando aproximadamente 30 mil pessoas. A estrutura foi criada justamente para reduzir os efeitos da escassez durante o período de estiagem. Em anos anteriores, a operação já chegou a utilizar oito caminhões-pipa, com distribuição de milhões de litros de água por mês.

Falcão destaca que, diante da intensidade da seca, o trabalho não pode se limitar à observação dos níveis dos rios. “Não é suficiente apenas o monitoramento. Nós entramos com ações efetivas para minimizar os impactos. Estamos com a Operação Estiagem, abastecendo 42 comunidades, e mais de 30 mil pessoas são beneficiadas”.

A operação atende principalmente localidades que não dispõem de acesso regular à rede de abastecimento. O fornecimento emergencial busca impedir que famílias sejam obrigadas a recorrer a fontes de água inadequadas durante o período mais severo da seca.

Os efeitos da estiagem ultrapassam a questão do abastecimento. A redução do nível do Rio Acre já interfere na navegação e no transporte de produtos, atingindo moradores e produtores que utilizam o manancial como via de deslocamento.

Segundo Falcão, a Defesa Civil também acompanha os prejuízos provocados pela seca na agricultura, na piscicultura e na navegação. O monitoramento alcança diferentes pontos da bacia hidrográfica.

“Com essa baixa, temos prejuízos na captação de água e na navegabilidade. As pessoas que utilizam o rio para navegar e trazer seus produtos têm alto prejuízo. E ainda podemos alcançar níveis mais críticos do que o que já estamos agora”, alertou.