O fim da escala 6×1, bandeira que ganhou força no debate político nacional, começa a sair dos discursos e entrar na conta do empresário acreano. A proposta, que prevê mudanças na jornada de trabalho e mais dias de descanso para o trabalhador, divide opiniões e coloca frente a frente dois argumentos difíceis de ignorar: de um lado, a busca por mais qualidade de vida; do outro, o temor de que a mudança pese no bolso das empresas e dos consumidores.
Para os empresários, a redução da jornada não significa apenas reorganizar o calendário. Em atividades que dependem de funcionamento contínuo, será necessário redistribuir escalas e, em alguns casos, contratar mais trabalhadores para preencher os horários que ficariam descobertos.
Ou seja: mais folga para o trabalhador pode significar mais gente na folha de pagamento para o empresário — e, dependendo de como a mudança for implementada, preços maiores para quem está do outro lado do balcão.
A Fecomércio segue uma linha semelhante e estima que uma eventual mudança no modelo atual de jornada poderia elevar em aproximadamente 21% a folha de pagamento das empresas. No Acre, o impacto pode ser expressivo. Segundo a entidade, mais de 54 mil empresas seriam afetadas e mais de 86% dos estabelecimentos do estado são micro e pequenas empresas.
É justamente nesse ponto que aparece uma das maiores preocupações: pequenos negócios têm menos margem financeira para absorver novos custos.
Para a Federação, não faz sentido tratar todos os setores como se funcionassem da mesma maneira. Uma loja, um supermercado, um restaurante, uma empresa de serviços ou qualquer outro negócio possui necessidades próprias. A proposta defendida pela entidade é que a jornada seja definida levando em consideração as particularidades de cada atividade, por meio de negociação coletiva entre patrões e empregados.





