Quem foi melhor governador do Acre? A pergunta parecia simples, mas a resposta de Narciso Mendes, no Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares nesta quinta-feira, 17, virou uma viagem pela história política recente do Estado.
Narciso evitou colocar todos os governadores na mesma régua. Para ele, cada um governou em um período diferente e enfrentou circunstâncias distintas. Ainda assim, fez elogios específicos a nomes que marcaram diferentes momentos do Acre.
Ao comparar Flaviano Melo e Jorge Viana, Narciso afirmou que os dois foram bons governadores, mas destacou obras e realizações que, segundo ele, permanecem na estrutura de Rio Branco.
“Flaviano Melo fez muito por esse Acre”, afirmou.
Entre os exemplos citados, mencionou o sistema de abastecimento de água de Rio Branco e os conjuntos habitacionais construídos durante a gestão de Flaviano. O conjunto Manoel Julião é, de fato, associado à administração de Flaviano, e registros legislativos também apontam a construção de outros conjuntos habitacionais durante seu governo.
Binho entra na conversa — e recebe um elogio incomum
Quando Luciano Tavares colocou Binho Marques na comparação, Narciso foi direto:
“Na minha entender, entre todos foi o mais republicano.”
A justificativa veio em seguida. Para Narciso, Binho teria sido o governador que menos utilizou a máquina pública em favor da política partidária.
“Ele era um sujeito absolutamente republicano”, afirmou.
A declaração chama atenção porque Narciso não avaliou Binho necessariamente pelo volume de obras ou pelo tamanho de sua administração, mas por um critério político: a relação entre governo e partido.
Na comparação entre Jorge Viana, Tião Viana e Binho Marques, Narciso voltou a destacar Jorge.
“Jorge”, respondeu quando pressionado a escolher um dos três.
A justificativa também veio acompanhada de uma referência à transformação administrativa do Estado e da capital. Para Narciso, Jorge Viana deixou uma marca significativa justamente por ter atuado em um período considerado inaugural para uma nova fase política do Acre.
“Só em ter instituído a Prefeitura e o Governo do Estado do Acre, ele fez demais”, afirmou.
A avaliação histórica sobre Jorge Viana é naturalmente objeto de interpretações diferentes. Seu primeiro governo ocorreu de 1999 a 2002, e ele foi reeleito em 2002. Naquele segundo pleito, venceu Flaviano Melo com 63,58% dos votos válidos, segundo os dados eleitorais registrados para a disputa.
Quando a conversa chegou a Gladson Cameli, Narciso abandonou a comparação tradicional de obras e gestão e entrou em outro terreno: o carisma político. “É uma figura a ser interpretada”, afirmou.
Segundo Narciso, a capacidade de comunicação direta de Gladson com a população seria um fenômeno político particular.
“Se ele parar em uma esquina de qualquer cidade do nosso Estado, ele, em cinco minutos, será rodeado de pessoas para ficar ouvindo-o, porque o carisma dele é muito grande”, disse.
Narciso contou ainda que, durante a segunda campanha de Gladson ao governo, encontrou em uma livraria de São Paulo um livro chamado O Poder do Carisma. Depois de ler a obra, disse ter identificado no governador características que associou ao conceito apresentado no livro. “Eu digo: está aqui a figura do Gladson Cameli”, relatou.





