A internet revolucionou a comunicação, ampliou o acesso à informação e deu voz a milhões de pessoas. Mas, na avaliação de Narciso Mendes, o avanço tecnológico não foi acompanhado pela mesma evolução na qualidade do debate público.
Durante entrevista ao podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares nesta quinta-feira, 17, Narciso criticou o comportamento de parte dos produtores de conteúdo político nas redes sociais e disparou contra o que chamou de “blogueiros de aluguel”.
Para ele, o problema não está na existência de preferências políticas, mas na transformação dessas preferências em conteúdo apresentado ao público como se fosse comunicação independente.
“Você pode ter preferência política por um candidato. Mas você, como comunicador, não pode demonstrar essa preferência, porque você perde a autoridade até de debater a política”, afirmou.
“Blogueiros de aluguel”
Narciso disse considerar as redes sociais o meio de comunicação mais popular da atualidade, mas afirmou que esses espaços estão sendo ocupados por conteúdos que, segundo sua avaliação, empobrecem o debate político.
“As nossas redes sociais estão contaminadas por blogueiros de aluguel e numa linguagem plenamente agressiva”, declarou.
Na sequência, ampliou a crítica e mirou também o extremo oposto: conteúdos excessivamente elogiosos.
“Ou plenamente agressiva ou plenamente elogiosa, mas ambas burras”, afirmou.
A frase sintetiza a crítica feita pelo entrevistado ao ambiente digital: de um lado, ataques pessoais e acusações; do outro, elogios que, na visão dele, abandonam qualquer compromisso com a análise crítica.
Liberdade não é salvo-conduto para atacar
Narciso também chamou atenção para os limites jurídicos do debate público. Ao defender a liberdade de expressão, afirmou que crimes como injúria, calúnia e difamação não deveriam ser tratados como parte natural da liberdade de manifestação.
A declaração ocorre em um momento em que as redes sociais ocupam papel central na disputa política e eleitoral, transformando vídeos, postagens, cortes de entrevistas e comentários em instrumentos de formação da opinião pública.
Para Narciso, a tendência é que a sociedade aprenda a lidar melhor com esse novo ambiente à medida que o tempo passe.
“A mentira tem mil versões. A verdade só tem uma”
Na parte mais filosófica da entrevista, Narciso recorreu a uma frase atribuída a um antigo pensamento sobre a velocidade da mentira e a lentidão da verdade. “A mentira anda muito ligeiro. E a mentira tem mil versões. E a verdade só tem uma”, afirmou.





