Um dia após as operações Ptolomeu IV e Umbra, da PF, da qual foi o foi o principal alvo, o ex-governador do Acre, candidato a senador do PP Gladson Camelí, gravou um vídeo afirmando que é vítima de perseguição de seus adversários porque lidera as pesquisas.
Camelí afirma que a operação teria sido vazada a blogueiros e jornalistas de propósito contra e questiona o uso eleitoral da operação.
“Na última terça-feira, a 13 dias da eleição, fui alvo de uma operação da Polícia Federal da mesma investigação que já teve as provas anuladas no Supremo, porque foram feitas de forma ilegal contra mim. E não dá pra ignorar o fato que já tinha blogueiro e jornalista do grupo adversário plantado na frente da minha casa para registrar a ação da polícia que ainda nem havia chegado. Quem vazou essa informação? Quem colocou essas pessoas lá? Quem se beneficia com essa perseguição contra mim? Existe uma decisão do Supremo Tribunal Federal, chamada ADPF 1017, que proíbe ações contra candidatos para evitar o uso eleitoral dessas operações. E isso vale para todo mundo. Porque só contra mim isso não foi respeitado. A verdade é que essa perseguição tem um motivo. Eu estou liderando as pesquisas para o Senado. Eu acredito na força do seu voto. Acredito que são vocês na urna, e não os meus adversários no tapetão, que podem escolher quem tem o direito de representar o nosso Estado no Senado. Uma eleição se perde e se ganha no voto. E eu não vou baixar a cabeça, nem aceitar esse tipo de perseguição. Vou continuar nas ruas, conversando com as pessoas e olhando olho no olho de cada um”, conclui.
As operações
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (21/9), as Operações Ptolomeu IV e Umbra, destinadas a combater o desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Acre e desarticular estrutura montada para espionar as atividades da Polícia Federal em favor de investigados de fases anteriores da Operação Ptolomeu. O ex-governador Gladson Cameli, candidato ao Senado, é o principal alvo.
A Operação Ptolomeu IV foi desencadeada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e abrange duas frentes investigativas. A primeira refere-se à contratação da empresa responsável pela construção inicial da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC).
Já no âmbito da Operação Umbra, a partir de dados colhidos em fases anteriores da Operação Ptolomeu, a PF identificou evidências da existência de um núcleo de contrainteligência estruturado para obter informações sobre as ações policiais, movimentação de equipes e viaturas, com a finalidade de antecipar as ações policiais e adotar providências para reduzir a efetividade de medidas judiciais.
Ao todo, as operações combinadas cumpriram 28 mandados de busca e apreensão nas cidades de Rio Branco/AC, Cruzeiro do Sul/AC, Maringá/PR e Navegantes/SC, todos expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça, onde os casos tramitam.
Foram apreendidos valores em espécie com alguns dos investigados, estimados, até o momento, em cerca de R$ 1 milhão. Além disso, três dos suspeitos acabaram presos em flagrante delito por posse ilegal de armas de fogo.
Os suspeitos poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, sem prejuízo de outros delitos eventualmente identificados no decorrer das apurações.




