A estudante de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Acre (Ufac) Isabele da Costa Barbosa denunciou o professor Eduardo Mitke Brandão Reis, docente da instituição, por supostas condutas de assédio que, segundo ela, teriam ocorrido durante aproximadamente quatro anos.
O caso também foi levado à Polícia Civil do Acre. Isabele registrou, em 29 de maio de 2026, o Boletim de Ocorrência nº 00041668/2026, na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher Vítima de Violência, em Rio Branco. O documento registra a natureza da ocorrência como importunação sexual (art. 215-A do Código Penal) e identifica Isabele como vítima e comunicante e Eduardo como suposto autor.
No histórico do BO consta que a estudante compareceu à delegacia relatando ter sido vítima de importunação sexual e foi encaminhada para uma sala reservada para detalhar os fatos.

Estudante relata anos de supostas investidas
Isabele afirma que inicialmente evitava confrontar o professor por medo de sofrer consequências acadêmicas. Segundo ela, as supostas investidas continuaram durante anos.
“Depois de dois anos ele falando comigo e já me reprovando, eu percebi que ele não ia parar”, relatou.
A estudante afirma que, após deixar de responder às mensagens e bloquear o docente em uma rede social, passou a enfrentar problemas nas disciplinas ministradas por ele. Ela questiona correções de provas, notas e sucessivas reprovações.
Isabele diz ainda ter procurado outras estudantes e reunido prints de conversas, gravações e relatos que, segundo ela, apontariam para outras situações envolvendo o professor. Essas alegações ainda precisam ser verificadas individualmente.
Denunciante relata impactos na saúde e no trabalho
Segundo Isabele, a situação também afetou sua vida pessoal e profissional. Próxima de concluir a graduação, ela afirma ter desenvolvido crises de ansiedade ao frequentar as aulas do professor, procurado atendimento psiquiátrico e iniciado uso de medicamentos.
“Todas as aulas que eu ia, ver a cara dele me causava extrema ansiedade. Comecei a tomar remédios, comecei a consultar com psiquiatra e tive crises e crises”, afirmou.
Ela também relata ter deixado o emprego em um hospital veterinário, onde trabalhava havia aproximadamente três anos.
A estudante ainda questiona um episódio envolvendo uma disciplina ofertada durante as férias. Segundo ela, outro professor havia sido inicialmente designado para ministrar a matéria, mas Eduardo acabou assumindo a turma. Isabele afirma que, de aproximadamente 40 alunos, somente cinco teriam sido aprovados.



Ufac confirma apuração interna
Procurada pelo Notícias da Hora, a Universidade Federal do Acre confirmou que tomou conhecimento da denúncia por meio do Fala.BR, através da Ouvidoria da instituição.
Segundo a Ufac, após receber a denúncia, foi instaurado procedimento e o caso foi encaminhado à Comissão de Ética, para análise de eventual falta ética. Também está sendo realizada análise de admissibilidade para verificar a possibilidade de abertura de sindicância ou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o servidor citado.
A universidade informou que o processo tramita de maneira restrita e sigilosa, em razão da natureza das acusações e para preservar a identidade da denunciante, observando, entre outras normas, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Ainda conforme a instituição, serão apuradas tanto as alegações relacionadas à suposta prática de assédio quanto possíveis descumprimentos de deveres ou proibições funcionais.
A Ufac ressaltou que a apuração deverá observar a presunção de inocência, o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
A instituição informou ainda que ofereceu atendimento à estudante por meio dos mecanismos de acolhimento disponíveis na universidade.
O registro do boletim de ocorrência e a abertura dos procedimentos internos formalizam a apuração das denúncias, mas não representam, por si só, conclusão sobre eventual responsabilidade do professor.

O outro lado
O Notícias da Hora tentou contato com o professor Eduardo Mitke Brandão Reis por meio do número de telefone informado no boletim de ocorrência e disponibilizado à redação, com DDD 21 e final 92-XX. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.
O espaço permanece aberto para que o professor, sua defesa ou representante legal apresente sua versão sobre as acusações e os fatos relatados nesta reportagem.







