“Eu gostei, senti firmeza e senti que ali eu realmente teria um time.” Com essa justificativa, o deputado federal Eduardo Velloso (Solidariedade), candidato ao Senado, explicou a decisão de deixar o grupo político da governadora Mailza Assis e passar a apoiar Tião Bocalom na disputa pelo Governo do Acre. A declaração foi dada nesta quinta-feira, 24, durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares.
Velloso foi questionado sobre a mudança de posicionamento depois de ter se aproximado politicamente de Mailza e de a governadora ter feito referências públicas a ele como senador. O deputado afirmou que mantém respeito pela chefe do Executivo, mas disse que a relação política acabou sendo afetada por pressões de diferentes grupos.
“Eu tenho todo o respeito por ela. É a nossa governadora. Ela hoje está tendo a oportunidade de mostrar para o que veio. Ela tem a caneta na mão. Mas a Mailza foi muito pressionada. Você sabe disso. São forças políticas que fizeram com que a gente talvez não pudesse ter uma proximidade como ela gostaria e como eu gostaria”, afirmou.
A avaliação sobre a existência dessas pressões, porém, foi apresentada pelo próprio Velloso durante a entrevista, sem que ele detalhasse quais seriam essas forças políticas ou apresentasse situações específicas para sustentar a afirmação.
Segundo Velloso, a aproximação com Bocalom ganhou força depois de uma conversa com o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene. O parlamentar afirmou que Bestene teria atuado como um dos principais articuladores para aproximá-lo do grupo que apoia o ex-prefeito da capital na disputa estadual.
“Ele falou: ‘Velloso, vem para cá. Aqui eu quero fazer essa junção. Meu governador é o Bocalom. Você apoiou ele para prefeito, assim como a Mailza apoiou. Como todo mundo apoiou para a prefeitura. Vamos fazer essa conversa’”, relatou.
Depois das conversas com Bocalom, Velloso disse ter decidido aderir ao projeto.
“Eu, conversando com o Bocalom, gostei. Senti firmeza, senti que ali eu realmente teria um time e tomei essa decisão de caminhar com o Bocalom”, afirmou.
A justificativa, portanto, está baseada principalmente na avaliação pessoal de Velloso sobre a composição política e sobre a relação construída com Bocalom. O parlamentar não apresentou, na entrevista, um episódio específico que tenha provocado uma ruptura com Mailza.
Ao explicar por que passou a defender Bocalom para o Governo do Estado, Velloso citou resultados que atribui à administração do ex-prefeito na Prefeitura de Rio Branco.
Na área da saúde, mencionou reformas de unidades, melhorias no atendimento e iniciativas relacionadas à marcação de consultas e serviços odontológicos.
Na educação, destacou o desempenho da capital em rankings e afirmou que a gestão municipal teria demonstrado compromisso com a área. Também citou a política de valorização dos servidores públicos e afirmou que houve aumento expressivo na remuneração de categorias como a dos médicos.
Essas afirmações, entretanto, correspondem à avaliação feita pelo próprio candidato durante a entrevista e não foram acompanhadas, no programa, pela apresentação de dados ou de indicadores que permitissem comparar os resultados citados com outras administrações.
“Produzir para empregar”
A defesa da produção rural apareceu como outro argumento utilizado por Velloso para justificar seu apoio a Bocalom.
“Eu acredito, claro, na agricultura. O agro realmente é a base, o sustento e a saída econômica, eu acredito, para todos os municípios estaduais”, afirmou.
O deputado citou Mâncio Lima como exemplo e relacionou o crescimento da produção de café à expansão econômica do município. Também utilizou Rondônia como referência para defender o potencial do agronegócio como vetor de desenvolvimento.
A proposta, contudo, envolve um desafio que o próprio entrevistador colocou durante a conversa: como conciliar o aumento da produção com as características ambientais do Acre e com a necessidade de preservação de áreas protegidas.
Ao tratar do tema, Velloso defendeu uma revisão da forma como áreas protegidas e áreas produtivas estão distribuídas no território acreano. O deputado argumentou que a localização de determinadas reservas próximas às principais estradas poderia dificultar o escoamento da produção rural.
“Eu não estou falando nem em diminuir [a proteção]. Estou entrando no critério de rever como”, afirmou.
A proposta apresentada por Velloso envolve a possibilidade de discutir, entre os governos estadual e federal, uma eventual reorganização ou troca de áreas, segundo critérios que ele não detalhou integralmente na entrevista.
O parlamentar também apontou a precariedade dos ramais como um dos principais obstáculos para o produtor rural.
“Quantas vezes você não viu um produtor rural perdendo sua produção porque não conseguiu escoar pelo ramal?”, questionou.
A questão, entretanto, envolve diferentes aspectos jurídicos e ambientais. Eventuais alterações em áreas protegidas dependeriam de legislação, estudos técnicos e da competência dos órgãos responsáveis, além de negociação entre os entes públicos. Velloso defendeu que a bancada federal do Acre participe dessa discussão e que o governo federal seja envolvido.
“Isso é possível, já foi feito em outros estados. E por que não aqui no Acre?”, questionou.
A fala revela, portanto, uma das principais bandeiras econômicas apresentadas pelo candidato: ampliar a produção e melhorar o escoamento sem, segundo ele, abrir mão da proteção ambiental. A forma de implementação dessa proposta, porém, não foi detalhada durante a entrevista.





